As horas passam e a mente demora-se, ao som dos vigorosos ponteiros persistentes que dão tempo aos dias…
Não sei há quanto tempo aqui estou, parada, quedada, nesta cadeira puída pelas calças de ganga e pelo tempo…
Espero…
O teu olhar chama-me algures, consigo ouvi-lo e senti-lo…
Sinto-te a percorrer ondas infindáveis de saudade que não param de nos assanhar os dias, nos momentos em que a mente divaga para além desta solidão provocada pelo quotidiano.
A tua voz chama-me e chicoteia-me com o vento que a traz…
Não consigo suportar os momentos em que a vontade de me aninhar no teu abraço toma conta de mim, sem pedir autorização para que eu saia deste casulo de razão.
Entardece…
Tu chegas…
Trazes o teu sorriso, no teu perfume com que sempre me preencho, embrulhado no teu cachecol e no teu casaco. Vens tão bonito…
Envolves-me em ti, com a naturalidade de sempre, com a força de sempre…Aqui tudo é seguro e para além de nós nada existe.
Era o nosso dia, era a nossa tarde, era a nossa noite, quando amando nos damos, quando tarde surges e exalas o teu aroma, envolvendo-me num momento indescritivelmente apaixonante, pleno, magnânime, em que nada mais importa…
E ali, num dia, na nossa tarde, tudo acontece, sem que queiramos…
A intensidade toma conta de nós, vivemos tudo o que antes não vivêramos, na atitude carismática de dois sonhadores que trazem a algibeira preenchida de sentimentos que são difíceis de expressar, que só tomam forma nos gestos, nos olhos, nos movimentos, em nós.
Em nós…
Pois mais ninguém sabe.
Só nós…
Pois não sei se é ternura, se é riso, se é paixão, se é amor…É tanto, tão bom, tão inenarrável.
Só para nós, para além de compreensões infundamentadas ou conhecimentos previamente adquiridos.
Sinto o nosso suspirar…
Meu amor, nunca é tarde nem cedo, para quem se quer tanto.
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