sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Hoje, o texto não é meu...
Hoje, dei direito a alguém que sente o que escreve...
Hoje, tenho o prazer de ceder o lugar de postagem à "minha Maluca"...
Hoje, a recôndita parte é dela...
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Este é o momento a partir do qual começo a magoar-te
Devagar, num suspiro a mais,
Num passo de magia que já não fazemos
Com medo de sair mal.
Este é o momento a partir do qual já só vês destruição
No que tenho para te dar.
Já não tenho mais os braços cheios de rosas
Nem vontade de tê-las para ti.
Há só o que fomos e o não saber o
Que fazer com isso.
Há as mãos atrapalhadas que num hábito repetido
Procuram as tuas, ainda que não haja
Nada mais para te dar. Nem sequer as mãos.
Este é o momento em que as linhas que nos sustentam
Começam a ceder a uma palavra fora do sítio.
Perdemos a capacidade de nos inventar,
E confundimos a filosofia com os sentimentos
Nas discussões acesas e repetidas.
O que tu és, tudo o que tu és, e eu não sou. Nem quero.
Tudo o que no principio não importava
Na rajada de vento forte que era ter alguém
A quem dar a mão.


Mariana Dias Pereira

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Acordei embrulhada em lençóis esfarrapados, antigos, sujos…No chão, roupa espalhada, calçado variado, sonhos rasgados por entre desejos vãos, num misto de tristeza e angústia ritmadas por uma música rouca de sucessivas repetições.

Ergui-me ressacada de uma tal tristeza que começava não sei onde, percorria-me todo o corpo e não acabava nem sei porquê.

Lá estavas tu, plantada numa sala escura e vazia, escondida de um mundo em que sempre havias serpenteado com tanta mestria, dignidade e vontade; contudo, agora, que eras tu naquela sala obsoleta? A vontade tinha sido deixada algures entre os destroços dos sonhos rasgados que varriam o chão, a mestria e a dignidade sempre as mantinhas mas, de tanta repetição, roucas como aquela música que me acordara, despegavam-se de ti e tu não te sentias tentada a segurá-las…Dizias que já não faziam sentido, que já não fazias sentido, que já nada fazia sentido.

Quantas vezes te aconchego os lençóis perfumados e macios ao rosto que, suavemente, te beijo, para que saibas que cheguei? Quantas vezes te demonstrei o meu carinho só por me sorrires?

Todavia, já nada disso conta; já nada disso te dá força para que voltes a agarrar a vontade; as tuas lágrimas dilaceram-me o coração por me ver ineficaz num beco com inúmeras saídas, mas que para ti só apresenta uma, hedionda e ridícula.

As pessoas conseguem ser ridículas.

Os sentimentos que te inflamam também conseguem ser ridículos.

A dor que todos os dias emano pelos sentimentos que te inflamam, devido a pessoas e causas ridículas é dilacerante, mas não menos ridícula.

Fecho os olhos e anseio um dia melhor. Nada mais posso fazer a não ser desejar que o tempo passe, que eu passe, que todos passemos…

Tenho aprendido a revoltar-me contra as minhas guerras interiores, autênticas batalhas heróicas, mas nunca me ensinaste como haveria de lutar contra as tuas…Choro, mas não é por mim; choro, por ti, por todos nós, que guerreamos e circuitamos caminhos tão íngremes e, em plenos planaltos, largamos a vontade e queremos desistir.

Nunca podes desistir…Tu não!