
Só o encontro à medida que divago inconscientemente, ao ritmo duma música antiga e repetida, na voz duma diva esquecida, que ressoa nas quatro paredes que, ultimamente, me servem de lar.
Continuas-me a derrubar, sem que o saibas, mas eu continuo aqui, visto que simplesmente não sei qual a origem e essência deste feitiço; se é doloroso ou indolor; se é insípido ou saboroso; se é aromaticamente terapêutico ou simplesmente inodoro.
Não quero saber…
O eco do teu sorriso delicia-me enquanto cerro os olhos e mordo o lábio inferior, no desejo de te poder abraçar, num abraço prolongado e desinteressado, só por saber-te bem…
Sabe bem, tão pouco? Alimenta-me tão pouco?
O estado de subnutrição já se teria acercado de mim se assim fosse; não sei que nutriente é este, que elixir é este, que delícia é esta que me deleita e derruba de prazer, enquanto me finda tantos males, sem que as curas se vejam…
Apenas decorei o nosso sorriso, numa fotografia daquelas que guardamos escondidas na nossa carteira preferida, naquele recôndito compartimento, a que só nós conseguimos chegar, com a força do hábito impelida na memória e a saudade, essa saudade, que todos os dias me destrói mais um pedacinho.
De que tenho saudades?
Do teu sorriso forçado…
Da tua história quotidiana e vulgar, que, no teu toque próprio, me fazia sempre sorrir…
Do teu perfume exagerado, todas as manhãs…
Do teu modo politicamente correcto perante todos os outros com que te cruzas, mas que, comigo, não passa de algo inexistente, que dá lugar à tua simplicidade e autenticidade…
Do modo como te arrastas imponentemente…Sim, arrastas-te e eu fico a ver-te e a sorrir-te…
Da maneira como apagas a luz todas as noites, calma, doce e gentilmente, certificando-te sempre se incomodas alguém…
Recordo-te…
Tenho saudades tuas, na minha mente…Na mente que sempre me alimentou…