domingo, 13 de julho de 2008

Há muito mais para derramar lágrimas, não chores…

Eu conheço-te, eu sinto-te, por favor, não chores…Sorri-me, relembra-me do teu jeito peculiar de sorrir…

Deixa-me agarrar na tua mão, deixa-me ouvir a tua história, deixa-me limpar-te as lágrimas que te atraiçoam, enquanto manifestas a tua dor, de mais um dia em que lutaste por algo que continuas a julgar em vão…

Não!!! Pára!!!

As tuas batalhas não são em vão; podes não ir salvar o mundo, podes até nem sequer deixar uma marca para a posterioridade, mas, são as tuas batalhas, as tuas guerras…

Sei como te magoas nelas, sinto-te a envelhecer de dia para dia, contudo não desistas; enfrenta-as com a simplicidade do teu sorriso perfeito, torna-te a heroína de alguém, a tua própria heroína.

És o que és, genuinamente o que és, mesmo quando só te apetece desligar as luzes, fechar as janelas e esconderes-te na escuridão das tuas quatro paredes intocáveis, no teu cubo da solidão, repleto de medos, histórias que ninguém supõe existir e que poucos, demasiado poucos, ousam saber.

Flectes os joelhos, escondes a cabeça entre eles e repousas as mãos na face posterior da nuca, enquanto as lágrimas escorrem e gotejam o chão que te servirá de eterno consolo; o mesmo chão castanho de madeira, gasto pelas tuas lágrimas solitárias e escondidas; escondidas entre um sorriso e um piscar de olho infantil com que delicias desconhecidos e tranquilizas conhecidos.

Eu consigo ver quão perdida estás e quanto te falta ainda para voares… Já foram tantas as batalhas nessa tua guerra, que te vão enrugando a testa e que vais assumindo a custo…

Assume-as…

Não sei onde mais hei-de EU procurar-te..

TU que terás sido feito como a minha “outra pessoa”, ou uma das minhas “outras pessoas”…Sim, continuo a sorrir-te, no vazio, no céu, no ar, na caminhada que vou percorrendo, sem te ver, sem te conhecer, sem te achar…

O sorriso que te fascinará enquanto me desconheceres e te tranquilizará quando não me conheceres ainda, identificá-lo-ás. Da mesma forma que eu te identificarei, ao saber que fui feita para ti, que foste feito para mim…Fomos feitos para nós…

Onde estou? Onde estás? Onde estamos?

Algures, dentro dos nossos próprios sorrisos, que nos foram colados na pressa fugaz dum olhar furtivo e passageiro, escondido no inconsciente, tal como nos escondemos de tantos outros…
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(as incoerências discursivas e mudança de sujeitos foram propositadas...ficará ao critério de cada um a sua interpretação!)