terça-feira, 29 de novembro de 2005

...Love is a bastard, but show must go on...

Porque esta é a que mais se adequa...porque não há condições para escrever mais...simplesmente porque hoje é hoje, e hoje doeu...

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Coldplay - Fix you (clicar para ouvir)

When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

And high up above or down below
When you're too in love to let it go
But if you never try you'll never know
Just what you're worth

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Tears stream down on your face
When you lose something you cannot replace
Tears stream down your face
And I

Tears stream down on your face
I promise you I will learn from my mistakes
Tears stream down your face
And I

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Amor, uma relação de morte?

Antes de passar ao texto, propriamente dito, quero antes felicitar o Vitor (o-preto) pelo agregador de blogs que elaborou e agradecer-lhe por ter posto o meu blog nesse agregador.
Quero ainda referir que este texto, fruto de um pedido da minha companheira Dória, tinha como objectivo inicial integrar no portfolio dela, por forma a que ela conseguisse estabelecer uma espécie de relação entre o amor e a morte.
Aqui fica o que o momento, e a inspiração, me permitiram fazer.
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O poder que os teus olhos exerciam estremeceu-me. Senti um aperto no peito, quando me olhaste, e um tremor percorreu-me todo o corpo, que ansiava por que lhe tocasses. Apesar destas sensações, eu não queria acreditar que existias; apesar do que me acontecia quando te via, negava tudo enquanto os olhos me traíam; apesar da minha vista percorrer todos os espaços em que julgava poder encontrar-te, insistia que nada em mim provocavas…
Caminhei, enfim, no anseio de te alcançar. Necessitava que me olhasses uma vez mais; necessitava que me falasses com o teu ar terno e absorto; necessitava que, pelo menos, me acenasses. Atingia a plenitude só de olhar-te, falar-te, pensar em ti, sentir-te em mim, imaginar-te, bastando permaneceres junto a mim para que eu tivesse uma existência feliz.
_ Olá! – Disseste, sorrindo. Não esperava ver-te por aqui…
(Nem eu esperava ter ido até ali!)
_ Pois… – hesitei. Ele ia desmascarar-me.
_ Precisei de espaço para libertar os meus pensamentos que, ultimamente, me têm enlouquecido.
Desta feita estraguei tudo. Olhavas-me agora como se fosse realmente louca, desconhecendo que a minha única loucura era ter ido até ali só para te lobrigar, na expectativa que me também visses e, quiçá, falasses; desconhecendo que eras tu o culpado da minha insanidade.
Continuámos uma pseudo-conversa, dirigida por mim, que mais parecia um monólogo em que eu te bombardeava com perguntas fúteis e tu, com um ar aborrecido mas sempre educado, respondias com enunciados abreviados, na tentativa de findar aquele proscénio.
Desejava ficar ali contigo sempre e para sempre. Toquei-te na mão, com um ar casual mas intenção escondida no ar angelical e distraído. Naquele momento sim, apercebeste-te de tudo, começaras finalmente a desvendar o meu interesse. Soltaste a tua mão e despediste-te apressadamente, querendo esquivar-te de mim e de todo aquele triste episódio.
Vendo-te partir, sem sequer olhar para trás, para o local onde me encontrava, as pernas fraquejaram e pousei os joelhos abruptamente no chão. A primeira lágrima percorreu-me a face e cessou quando atingiu o queixo; foi a primeira e a única que ousou indiciar-me como frágil. Contudo, eu não queria saber se o era ou não, só queria saber de ti. Amava-te, sim, era esse o problema, amar-te!
Já não emergias do meu horizonte, porém sentia ainda a tua presença, uma vez que o teu odor fascinante embrenhara-se pela atmosfera que te precedia e me inundava.
Subitamente recordei todos os episódios que vivêramos e que pareciam tão longínquos…Estava agora sentada, enrolada sobre mim própria, servindo-me de assento a terra batida poeirenta. Doía tanto ver-te desertar e saber que não mais voltarias, pois os teus olhos nunca enganam, são puros e dóceis, tal como tu, demasiado bom para me dizeres o que sentias, ou não sentias.
Fiquei naquele local, instantes antes perfeito, e as poucas pessoas que passavam julgavam-me demente. No entanto, eu não o era, no fundo agora eu não era mais do que um corpo perdido num mundo a que não pertencia. A alma, levara-la contigo e, com ela, todos os sentimentos que a penetravam, ficando somente um corpo, um corpo despido de qualquer emoção. Morri, morri para mim, já não me considero gente, nem a gente me considera gente. Sou uma pedra lascada pela doença que um dia me fez voar e que, porém, me matou. Vivo num pântano solitário e não sinto…o que é sentir?