segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Vislumbre Negativo

Antes de passar ao post propriamente dito, apenas quero dizer que este post foi escrito durante uma aula de TIC, rodeada de barulho e gente a perguntar o que é que eu estava a fazer. Por outro lado, para além da falta de concentração, a inspiração também não era das divinas, portanto espero não desiludir ninguém, mas já escrevi bem melhor. É a minha opinião, ninguém ma pediu, mas eu dei-a na mesma! =P
----------------------------------------------------------------------------------
O sofrimento rebenta à flor da pele, aquilo que até aqui conseguia esconder simplesmente começou a evidenciar-se, começou a querer mostrar que na realidade a minha alma vivia em plena prisão, em plena angústia.



Todas as centenas de vezes que me perguntei se não seria melhor esquecer tudo, sabendo que se seguisse em frente apoderar-se-ia de mim a imaculada dor, que, apesar de eu sentir que ela surgiria, sempre a ignorei com todas as minhas forças e pensamentos, sempre a rejeitei, visto que eu simplesmente queria ser feliz contigo, nem que fosse por um simples dia, uma inocente semana, quiçá um mês em que eu julgaria viver o meu auge, a plenitude a que todos aspiramos perante a nossa existência.



O frio tomou conta do meu coração que, sob tamanho abalo, estremeceu. Sei, aliás sinto, que te vou perder e, desta vez, para sempre. A minha alma segreda-me para que tenha calma e aproveite enquanto ainda te posso considerar meu, não como uma propriedade exterior a mim, as como uma essência com a qual me habituei a viver nos últimos tempos, essência que me embebeu num tal estado feliz, num tal estado perfeito. Porém, este estado que considerei por tempos perfeito, afirma-se cada vez mais como uma utopia, que um dia eu quis tornar realidade, que um dia eu venerei e na qual eu cri.



Tudo isto agora me parece longínquo, parece que se sucedeu há muito tempo. Talvez assim o seja, talvez eu persista no mundo do sonho e todo este medo, toda esta angústia, todo este sofrimento não passe duma idiotice, não passe de um grande medo. Pode, na verdade, ser irreal.



Não parece coerente todo este estado contraditório em que me encontro, contudo fui eu quem foi assombrada por esta onda de incerteza, acompanhada de muito temor.



Era magnífico que amanhã, ou até mesmo hoje, acordasse, como habitual, olhasse para o Mundo real, o sol brilhasse, tal como todos os dias, e na minha memória persistisse apenas a nuvem acinzentada de um pesadelo que nem eu me lembro muito bem, uma vez que o meu inconsciente preferiu esquecê-lo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2005

O grito de revolta daqueles que se sentem pressionados

Antes de passar ao post propriamente dito tenho duas coisas a dizer-vos. A primeira é agradecer-vos pelos comments que me fizeram no post anterios, muito obrigada do fundo do coração. Foi um artigo complicado de escrever, que não pretendia angariar comments, mas que, pelos vistos, também vos tocou a todos vós.
Em segundo lugar, quero dizer que este post é para todos vocês, que se sentem pressionados, que se sentem observados pelos outros. Embora tenha uma escrita intimista e na primeira pessoa, expressa os sentimentos de todos vocês que me acompanham e que me transparecem a sensação de que se sentem francamente assim, tal como o post descreverá, sem tempo, ousaria dizer quase a sufocar.
------------------------------------------------------------------------------------
A alma grita e quer fazer-se ouvir. Os olhares que me atiram, por vezes reprovadores, por outras vezes aprovadores, amedrontam-me e fazem-me pensar mais do que duas vezes, não ouso proferir aquilo a que o meu instinto me incentiva.



O esforço de agir correctamente esgota-me todas as forças, simplesmente sufoca-me; a minha abordagem à minha própria existência é pensada e repensada, tende a não desiludir os meus seres circundantes, julgando eu que se direcciona à não desilusão de mim mesma.



Pergunto-me se toda a saudade que me assombra, a saudade que me inunda sem pedir licença, a saudade gritante que se revolta dentro de mim, a saudade de ser eu própria, sem pensar. Quero recuar até à época em que não tinha todos os olhos postos em mim; não quero “o agora”, em que alguns se mostram esperançados em relação a mim e ao meu futuro, tal como eu própria



O medo da desilusão, não da desilusão dos outros, mas mais o medo de me desiludir a mim, mostra-se cada vez mais presente, subjacente à minha vida, subjacente às minhas acções.



Quero tão pouco, porém tanto, ao mesmo tempo; desejo amar-te, desejo amar-vos, desejo amar-me, contudo não atingi ainda a plenitude que me permita fazê-lo, porque a injusta sociedade persiste de olhos postos em mim, sociedade essa que não só me avalia a mim, avalia-nos a todos nós, amigos ou inimigos.



Tem do conta que te quero para mim, tendo em conta que para além de te querer amar livremente também quero sair bem sucedida. As prioridades são agora aquilo que me fazem entrar em confronto interior. A vida sem o vosso amor não é vida, porém sem sucesso também o não é. Resta-me a mim, atirada ao acaso, definir e estabelecer se posso ou não reunir ambos num só, aglutinar os meus dois maiores desejos e coabitar com eles, seguir a velha máxima “na vida há tempo para tudo”.



Só assim viveria no meu auge, tenho essa certeza no meio de tantas dúvidas. Até lá, aflige-me ter de viver em perpétuo conflito e, ao mesmo tempo, expectante. Todavia, esperançada que essa plenitude a que os meus ideais aspiram concretizar-se-á, nem que seja quando tiver a conotação mais inútil que um dia eu julguei que ela poderia assumir.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2005

Para ti, Sara

Hoje acordei bem cedo, sobressaltada, e uma lufada de ar inundou-me com a maldita saudade que há muito adormecera mas que, sem qualquer aviso prévio, voltou acompanhada da sua plenitude em intensidade.



Tudo à minha volta recuou no tempo e deparei-me connosco, juntas de novo, arquitectando planos que nunca iríamos concretizar, dando tantas gargalhadas quanto cumplicidades partilhávamos.



Costumávamos sentar-nos naquele pedestal de pedra fria, que nos abandalhava as nossas calças muito na moda quando estava molhado, lembras-te? Aí ríamos de nós, ríamos do Mundo; o Mundo cabia-nos na palma das mãos e nos, por momentos, ao longo daquelas fantásticas tardes, sentíamo-nos heroínas.



Foram tantos os momentos que relembrei e tão poucos ao mesmo tempo, foi tal a intensidade desta profunda saudade que uma lágrima triste e solitária ousou rolar-me pela face, uma lágrima com a mesma solidão e tristeza que me deixaste quando injustamente partiste, quando estupidamente pensaste que, para ti, já nada fazia sentido e que nos poderias abandonar para sempre, que poderias abandonar-me.



Passaram quase 3 anos e eu já cresci, por causa de ti cresci, uma vez que me obrigaste a fazê-lo naquele dia em que soube que já não ia mais gozar com a vida e com o Mundo contigo, que já não partilharíamos todas as cumplicidades, que já não confidenciaríamos as nossas aventuras, que já não teríamos todas as nossas intermináveis conversas. Nesse dia aprendi que não mais poderia menosprezar o valor que era viver e o valor que era ter amigos do meu lado e aproveitar todos os momentos em que estaria próxima de todos eles e com eles.



Ainda hoje me pergunto “PORQUÊ? PORQUÊ LOGO TU?”, não só me pergunto a mim, mas também te interrogo a ti, invoco todas as questões que depois deste tempo ainda persistem em me assombrar, dúvidas que partiste sem me esclareceres. Porém, todas estas perguntas são vãs, nada nem ninguém me consegue responder.



Dou comigo a pensar como teria sido se ainda com todos nós estivesses, os verdadeiros amigos que hoje continuam a sentir a tua falta e se interrogam sobre o porquê desta tua viagem sem volta. Queria-te aqui de novo, contudo sei que não é possível, visto que o tempo não perdoa e não nos permite voltar atrás.



Onde quer que estejas, pois duvido que a nossa existência se resuma a uma curta passagem pelo mundo empírico em que me encontro neste momento, espero que me vejas e me acompanhes e que saibas que este post é só para ti, porque eu jamais esquecerei tudo, jamais te esquecerei a ti!!!



terça-feira, 4 de janeiro de 2005

Mundo Real versus Mundo do Sonho

A noite revelou-se mais uma etapa tortuosa. Pensamentos corriam-me, qual flechas desvairadas, por todas as artérias e bloqueavam-se o descanso. A frustração, por fim, assombrou-me de modo intenso e perturbador, por mais que tentasse, por mais que me esforçasse, a única coisa que conseguia era acentuar estes bloqueios do meu sono. A fadiga estava estampada por todo o meu ser, as pálpebras pesavam, os olhos ardiam, o corpo repentinamente tornava-se um fardo complicado para carregar, porém não conseguia adormecer, o joão-pestana ousava abandonar-me.



Sem me aperceber, ficando eu grata por isso apesar do meu espanto, mergulhei profundamente no meu mundo predilecto, deixei-me abater pelo cansaço, mas sabia que a noite servia para ter grandes aventuras neste meu mundo.



Depois de jornadear vielas e travessas, becos sem saída e largos, escoar toda a frustração que minutos antes, (ou devo dizer horas?), sentira, um relâmpago de deslumbramento apodera-se de mim, aquele refúgio fascina-me, aquele simples casebre, o qual todas as noites penetro, consegue cada vez mais ajustar o meu subconsciente e fazer com que me regozije, sim, é sempre uma experiência bastante prazenteira.



Um som forte, algures, atreve-se a despertar-me deste mundo maravilhoso que, embora pudesse atingir todas as noites, apenas alcanço excepcionalmente e com determinados estados de alma.



Acordei, lá fora já amanhecera, mais um dia gelado, desagradável mas apetitoso ao mesmo tempo. Contemplei o sol que também começava a espevitar-se perante os olhos ainda pestanejantes de muitos, que tal como eu, divagavam desta vez no mundo quotidiano e sobre as suas monótonas vidas.



Havia um longo dia pela frente, decisões teriam de ser tomadas, trabalhos feitos, conversas dispostas, acções planeadas, enfim, uma vida para ser vivida, desta feita, num mundo comum a todos e no qual não há maneira de nos refugiarmos de tudo e, sobretudo, de nós próprios. O sono e a fantasia daquele mundo já me abandonaram, era tempo de ir viver e expor todos os meus trunfos na mesa diurna da existência, era tempo de ir para o exterior simplesmente VIVER!!!!!!

sábado, 1 de janeiro de 2005

A mudança pessoal

Antes de iniciar a escrita deste novo post (ano novo, post novo) devo pedir a todos desculpas antes de mais pelo última contribuição que tive aqui neste blog, uma vez que estava um pouco aquém das minhas próprias expectativas, portanto desiludiu-vos a vós certamente, e por há tanto tempo não me designar a escrever, mas diguemos que a minha inspiração já teve melhores dias e depois daquele post fiquei com o ego um pouco abandalhado...



--------------------------------------------------------------------------------



Deparo-me com dias intensos, nos quais as emoções parecem não só querer transbordar da minha pele, de todos os meus poros, como também se transfiguram em ínfimas partículas circundantes dos meus interlocutores que insistem em transmiti-las para mim, que insistem inundar-me com tantas situações novas que muitas vezes me amedrontam, que muitas vezes me fazem sentir mais do que insignificante e desconhecida no meu próprio quotidiano. Sinto-me um ser desprevenido e um pouco à deriva, toda a minha existência parece ser insignificante, tudo aquilo que já presenteei enquanto viva aparenta ser uma simples acha na fogueira passageira que todos têm a partir do momento em que são gerados.



O tempo parece querer brincar comigo, julga-se senhor das existências supremas, julga que tem o poder de me atormentar deste modo e acicatar a minha singela vida, tantas belas vezes apática, tentando fazer tal descortezia, que a mais não seria dizer que tenta fazer com que eu prospere, com que eu evolua. Mas que direito tem tal senhor? Que direito têm de nos injectar amadurecimento e decisões complexas? As sensações quotidianas mudam e muitas vezes há quem viva iludida, porque cuida que pode amadurecer quando muito belamente entende; outros há que se consideram fora da lei da maturidade, altivos que não obedecem ao tempo e que há muito que o ultrapassaram. Porém foi logo a mim, fui logo eu aquela que não conseguiu passar imune às teias que o supremo tece cada dia que passa.



É comum naqueles que vão crescendo, chegar a uma certa altura, o ponto de crescimento em que actualmente me incluo, que calculam saber tudo, que nada os preocupa; são apenas eles próprios e consideram que isso é o suficiente. Quanto à sua sabedoria sobre a guerra a que comummente preferem chamar vida, julgam-na infinita e ao mesmo tempo transbordante, pensam que nada mais é necessário aprender. Também aqui eu saí diferente; por um destes dias, apercebi-me de que nada de nada sabia, que simplesmente a minha circunstância ao tornar-se mais abrangente me atordoava; apenas desejava correr para o meu refúgio de sempre e aí aliviar a alma, a angústia e toda a incerteza que me invadiam. Por mais que tentasse expulsar aquela sensação aflitiva, a frustração crescia, o peso de ter de crescer fazia sentir-me intrusa.



Tentei exprimir-me, tentei explicar-me, tentei certificar-me se seria normal todo este rodopio que me transformava em mais uma vencida, envergonhada confesso que até pensei fugir. Toda esta quantidade sem peso nem medida de novas impressões esvaíram-me toda a força e poder de controlo que me convencia ter, fiquei simplesmente exausta.



Adormeci, tão tarde que pensava já cedo ser. Este sono foi consolador, no Mundo dos Sonhos pude aliviar todos os meus pesadelos existenciais e deixar toda a frustração e angústia das minhas mais recentes vivências. A minha alma ficou de novo limpa e consegui finalmente, depois de quase sufocar, lidar com toda a mudança que se avizinhava e que este dia, semana, mês, talvez ano, me ofereceu sofregamente e a qual consegui, apesar de dificilmente, ultrapassar.



Podia apenas dizer que foi um dia complicador, mas este post é para dedicar à minha Zefa, ao meu mano Ruivo e a todas as minhas “Zefas” e “Ruivos”, porventura a mim própria, porque todos temos destes dias!!!!!