sábado, 30 de julho de 2005

Quase Perfeito

E porque hoje o dia é diferente e especial...aqui deixo esta musica que para mim "sabe bem"..um registo um pouco diferente no meu blog mas é para fazer uma experiencia =)


Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Quase que não chegava a tempo de me deliciar
Quase que não chegava a horas de te abraçar
Quase que não recebia a prenda prometida
Quase que não devia existir tal companhia

Não me lembras o céu nem nada que se pareça
Não me lembras a lua nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua eu confesso não sai da cabeça

Se um beijo é quase perfeito perdido num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der o tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer a seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser faremos o crime perfeito

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Se um beijo é quase perfeito perdido num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der o tempo a que temos direito
Se um dia um anjo fizer a seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser faremos o crime perfeito

Sabe bem
Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

[*Missing* ]
[Porque há coisas que nunca mudam. . .]
[Restou a saudade de ser ...«demais»]

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Vislumbres de uma tarde

Olhei-te nos olhos, procurando findar a dúvida que atraiçoava o meu equilíbrio, mirei-te, observei-te e avaliei-me: já não era como dantes. O fogo aceso que ardia no meu íntimo quase cessara, estava agora reduzido a uma quase insignificante fumaça. Não podia ser possível, eu não podia permiti-lo; o hábito de te ter junto a mim, de sentir a tua companhia, de reconhecer o teu toque já familiar…Afinal sou eu que te conheço, que te descubro quando te alcanço e te imagino, com todos os peculiares sinais de que és tu. Sou eu que te conheço!

Pegavas-me na mão, mesmo que não te constatasse, reconhecer-te-ia. Oh! Jamais esqueceria a tua suavidade e a tua subtileza que endurecem quando sabes que o mundo é única e simplesmente nós dois. Prometias que ficavas comigo, acontecesse o que acontecesse; proferias convicto e sem medo tais palavras, todavia todo o meu corpo borbulhava de insegurança. Arrebataste-me, os teus braços doíam-te da força com que me seguravas para eu não desertar, para não desertar o teu ser, para não desertarmos ambos. Creio que tu também estavas com medo, não era eu a única, porém eram medos distintos: tu de me perderes e eu de te perder, perdendo-me a mim no mundo abrupto que a todos nos confronta.

O tempo alertava-te de que a hora de partires havia chegado. Esperavam-te, embora fôssemos só momentaneamente separados, tu não querias ir; quanto a mim, egoistamente mergulhei na indiferença, não senti que te ia perder, sabia-te parte imperecível de mim, quer agora, quer daqui a uma eternidade. Senti que nunca te perderia, pelo menos das minhas doces memórias amargas.

Fiquei ali pregada a olhar-te, via-te a sumir, a tua silhueta aparentava-se cada vez mais longínqua, até que te deixei de conseguir lobrigar. Só já sentia a tua influência em mim e no ar que deixaste atrás…Seria sempre assim e tanto eu como tu sabíamo-lo.

O sol brilhava e o dia achava-se esplendoroso, porém frio. Eu, ali, a completar a paisagem, estupefacta com a minha própria frieza. O barulho do corredor no qual permanecia acordou-me e a dúvida assombrou-me de novo, desta feita mais aguçada.

Amanhã, o amanhã seria diferente e isso era plenamente notável. Há muito que tudo se havia alterado e o fogo tendia a extinguir-se, contudo existia um sobejo que eu queria reacender. Era temível, dado que era assaltada pelo temor de ser reacendido por um outro alguém ou de tudo o que permanecia ressequido nas paredes da minha alma não voltar a brilhar e entrar no seu esplendor. Era tão difícil lidar com tudo isto e tu, longe, a julgares-me, pensando que eu era uma inconsciente que não sabia o que estava a fazer. Tudo porque achaste que fora tão fácil…

Caminhei em direcção àquele quarto escuro onde me refugiava. Umas longas horas de meditação esperavam-me…