Cada vez que o lençol enrugado toca a minha pele, aquecida pelo calor exagerado dos dias, fecho os olhos e imagino…
Deambulo num mundo coberto de faz-de-conta, com um denso fundo verídico, de acontecimentos que parecem tão distantes, mas que, em simultâneo, me aquecem o coração, pois senti-os, vivi-os, fizeram-me sentir viva.
São esses olhos castanhos, esverdeados, fundos, brilhantes e doces que me vêm à memória, nestas noites quentes de verão, onde sentir-te é algo recorrente, mesmo sabendo que muitas milhas nos separam…
Oh, rapaz do sorriso escondido, pose séria mas inesperadamente descontraída, onde estiveste? Onde estiveste tu, enquanto as estradas eram feitas de terra batida, esburacadas e com gravilha solta? Onde estiveste tu, quando os Invernos eram longos e frios, as estradas inundavam e ficavam lamacentas?
Oh, rapaz do sorriso bonito e olhos sem medo de se expressarem, encontrei-te um dia, sem querer, enquanto te sentavas na esplanada verde alface, numa terra que não era a tua, num território que desconhecias, num dia em que te escondias num falso ar tímido, num dia em que pouco disseste…
Oh, rapaz do sorriso tímido, sem pedires autorização entraste, sentaste-te, tomaste conta do território que pensava ser eu que dominava e, agora, és detentor dum infindável número de chaves, daquelas grandes e pesadas, que não te importas de transportar…
Oh, rapaz do ar sereno, quando me envolves nos teus braços e prometes que nada mais interessa e eu acredito piamente…quando entras porta adentro, com tanto para me oferecer, deixando-me deleitada…
Oh, rapaz sério, quando ousas tremelicar o chão que piso, enrugas a pele da boca e manifestas o teu desagrado; até aí tens o teu encanto, do alto do teu ar de senhor da razão, enquanto, em bons dias, eu me rio e tu sentes-te despido…
E enfim, rapaz que tomou parte do meu trono de pseudo-queen iludida, com tantos dogmas que tens prazer de derrubar, fazendo-me sentir uma pequena criança, com tudo para aprender... Obrigada por teres aparecido naquela noite quente, apinhada de gente.
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