segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

...consultórios médicos e hospitais...

À primeira vista pode parecer tonto e fruto de quem não tem nada para fazer na vida escrever este post sobre consultórios médicos e hospitais. Talvez isso também seja um pouco verdade, na realidade não tenho nada para fazer e entretenho-me a assassinar os meus visitantes que ainda suportam o meu blog e me lêem.

Entra-se num destes locais e deparamo-nos com gente mal encarada (cara de doente o que é normal), entediada e profundamente angustiada. Todos aqueles que se encontram nestes sítios têm de suportar intermináveis fases de espera, que muitas vezes são cobertas de esperança quando alguém os chama mas, infelizmente, os recambia para uma outra sala de espera.

Para além da espera, todos somos torturados com revistas que na maior parte das vezes já têm anos de edição; revistas cor-de-rosa, empestadas de gente que sorri muito e não diz nada de jeito, de pseudo cronistas que não escrevem nada que se aproveite e que floreiam tudo e mais alguma coisa para aparentarem que se preocupam muito com o Mundo, mas que nas suas crónicas da treta só dizem mal dos possíveis ameaçadores que também pretendem um lugar no jet-set e nas belas crónicas portuguesas.

Outro passo pelo qual todos aqueles que frequentam estes locais é ouvir a conversa das excelentíssimas recepcionistas, que limam unhas, falam ao telemóvel e dizem sempre que estão cheias de trabalho, resmungam com os desgraçados dos doentes, que querem sempre saber se a sua vez está próxima, e são todas sorrisinhos para os senhores doutores.

Porém, todos nós dependemos dos serviços de saúde e necessitamos deles, nem que seja para nos sentirmos mais seguros. Não estamos na Espanha, nem em França, Inglaterra, Alemanha ou qualquer outro país dito e feito DESENVOLVIDO, nos quais acredito que os serviços de saúde não deixem tanto a desejar, acredito e não digo que sejam porque simplesmente não os frequento. Outra das coisas que não suporto é a incompetência a nível hospitalar, tantos médicos negligentes, seres que fazem um juramento no qual prometem por os interesses do doente sempre à frente; é frustrante o estado retardado em que muitos dos profissionais da saúde se encontram. Já é tempo de investirem em acções de formação, não é?

Enfim, não vos maço mais com este post de revolta, ou de quem nada tem para passar tempo.

Sem mais, despeço-me…

sábado, 25 de dezembro de 2004

Um post sentimentalista, fruto da época natalícia (ou não)

Sabia que uma vez mais invadir-me-ias, oh sorte malvada, só tu sabes quão palpitante me torno cada vez que o meu olhar vislumbra a tua terna silhueta, o teu olhar doce, o teu gesto descontraído...

Os meus sentidos começam a imaginar o teu cheiro, começam a inventar uma qualquer textura para a tua pele e concebem-te um tom de voz penetrante e suave. Sei que não passas de uma simples ilusão, que no fundo jamais exististe, contudo ouso invocar-te para que mantenhas a labareda da vida acesa.

Todos nós temos a nossa própria chama de vida, todos necessitamos de uma motivação, de uma causa, para que todos os dias quando acordamos, sintamos que temos uma razão ínfima, muitas vezes reles e que mal se nota, mas que nos motiva para mais um dia.

Essa razão cinge-se ao amor, a qualquer tipo de amor. Incredulamente, aprendi recentemente que a minha existência está coberta de amor. Todo esse amor é-me dado pelas pessoas que me circundam; todos eles, (ou deverei dizer todos vós?), fazem de mim um ser humano mais suportável e mais completo, sem vocês, meus amantes (chamar-vos-ei assim), encontrar-me-ia perdida neste Mundo, seria bem mais pobre.

Não queria transformar este post em qualquer corpo piegas, portanto chegou a parte em que acrescento que também há os que pretendem e tentam devassar-me, arrasar-me, destruir-me. A esses deveria dizer alguma coisa, contudo acho que seria uma tentativa inútil e, como estamos numa época em que a harmonia, a paz, a amizade, o amor, todos os “good feelings” supostamente estariam em vantagem, prefiro abster-me e continuar a viver no meu mundo e lutar a guerra que é a vida.

Se algum dia houve alguém que tivesse dito que viver seria fácil, enganou-se, contudo se também houve já o que dissesse que viver não valeria o esforço, igualmente se encontra deveras errado.

Bem, divaguei bastante durante este post. Já o li e reli para saber que partes vou apagar, porém não cheguei a nenhuma conclusão plausível, por isso, não apagarei nada e deixo-o permanecer tal como está. Encontra-se neste post um aglomerado de assuntos, peço-vos desculpa.

Mais um dia obrigada por me lerem, ah claro e por conseguirem continuarem a ser os resistentes que conseguem terminar a leitura dos meus maçudos posts.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004


Pretendo com este post desejar a todos aqueles que ainda têm pachorra para me ler um Feliz Natal, coberto de emoções e cheio de prendas astractas que só cada um poderá sentir. Posted by Hello

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

A temerosa



Antes de começar a escrever este post propriamente dito, devo agradecer todos os vossos comentários sempre tão queridos e encorajantes =)

Pipoka...só tenho um conselho, ou melhor, um pedido para te fazer...Quando fazes o teu próprio blog?? Acredito que te ias "safar" muito bem mesmo e acredita que não estou a ser só simpática, já me vais conhecendo e sabes que não sou bem disso!!!

Em relação ao último post que aqui escrevi, devo esclarecer que a data é apenas o dia em que fiz o teste e não tem qualquer significado aqui subentendido, e que quanto à inspiração já lá dizia Fernando Pessoa no seu poema

AUTOPSICOGRAFIA:

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

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Ah aquela dor ousou acordar-me pela milésima vez naquela mesma noite. Como seria possível que algo tão incomodativo, tão repelente, me atormentasse a existência durante a minha revigorante noite de sono à qual tenho direito, tal como todos nós??? Seria justo aquele tormento? Será justo todo este tormento pelo qual tenho de passar? Não o tomo como um castigo e acho que de nada vale tentar concluir se o Mundo é ou não justo, uma vez que nao detenho qualquer poder, por mais ínfimo que seja, sobre o mesmo.


É incrível como tudo começa: primeiro é uma simples impressão que mais parece uma comichãozita momentânea, passa depois para picadas mais intensas e esporádicas e, para terminar ou, na maior parte das vezes, para continuar a ser incomodativa e dolorosa, transforma-se num aperto constante e incómodo.


O meu pensamento voa e tenta alcançar mil e uma maneiras para poder camuflar esta sensação injusta, recorro aos recantos da minha memória, é uma procura sem cessar para poder abstrai-me, contudo ela atormenta-me mais e mais... "Procura, procura" penso eu, julgo que é uma boa táctica para me alhear daquela privação de dormir...


Depois de várias tentativas fugazes, vêm-me à memória momentos que jamais lembraria em condições normais, situações que se passaram há tanto tempo, ou talvez tenham sido ontem???, mas a mim tudo me parece distante, até o tempo; esse, o tempo claro, julga-se dono de si mesmo e não passa dum valor, demora o dobro, quissá o triplo a passar, os segundos transformam-se em minutos, que transformar-se-ão em horas e estas em dias e por aí fora...

Mas voltando às memórias que surgem, aparentando janelas que se abrem para uma outra dimensão, são apenas flashes, (credo!!!, preferia não ter usado um estrangeirismo mas não consegui achar melhor), que me iluminam por breves fracções de segundos que, contudo, são interrompidos pela temerosa...


Olho de novo para o despertador, passou algum tempo enfim. Dou por pegar finalmente no sono, algo que já deveria ter acontecido há algumas horas atrás, mergulho no mundo dos sonhos, no qual, embora haja contrariedades, somos quase sempre heróis e heroínas de algo, nem que seja do nosso próprio medo de sonhar.

domingo, 19 de dezembro de 2004

...a minha possível página de um diário...

Évora, 6 de Dezembro de 2004



Mais um dia passou...mas talvez este mais que os outros tocou-me de modo arrebatador e intenso. Foi uma simples troca de olhares, quiçá, contudo o coração acelerou e deu sinais da sua presença, aquando daqueles olhos doces e serenos que me inquietaram e deram paz.

Naquele momento deixei de ouvir, deixei de pensar e simplesmente me fixei e concentrei naquele grandioso momento que afinal não passara de uma mera fracção de segundos.

Estou sentada, a escrever, porém, neste momento, a minha alma grita em silêncio e implora que te volte a vislumbrar e que tu, qual fonte pura e cristalina, me mates a sede e voltes a despertar em mim toda aquela magia que há muito permanecia adormecida na minha mais recôndita parte.

Incrível como quanto mais escrevo mais saudades tenho de ti, ou daquele momento, dado que agora vos confundo a ambos.

Sinto-me mais leve, todo o peso da emoção de um só dia parece agora mais suave, embora o meu silêncio se mantenha e todos aqueles que me rodeiam me continuem a ver como a ingénua e doce menina que para a vida ainda não acordou.



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Na realidade esta podia mesmo ser a página de um diário, diário este um pouco formal, "demasiado poético" como alguém já disse...Apenas o coloquei aqui porque alguns me pediram para ler o que escrevera no teste de português!!! (Coitada da professora que teve de ler toda esta lamechice pegada...enfiiim...mas aqui está..."feito, morto e enterrado"!!!!)


A princípio...

Devo dizer que fiquei bastante surpreendida quando hoje aqui cheguei ao meu blogzito e me deparei com dois comentários da Pipokita e do John... Agradeço-vos os comments como é claro e devo dizer-vos que são grandes mentirosos e não sabem mentir =P kidding...



Hoje acordei mais cedo do que o costume a um Domingo, nem eu sei porquê. Apenas sei que uma súbita vontade de acordar, respirar fundo, abrir a janela e contemplar o lindo dia de Sol que amanhecera me invadiu. Perguiçei, como é óbvio, há velhos hábitos que jamais mudarão, e de um salto, um impulso interior que ainda agora, depois de já terem passado algumas horas, não entendo nem de onde nem como veio, saí da cama. O dia estava realmente bonito, tal como eu imaginara quando ainda me encontrava semiadormecida no meu leito quente e apetitoso, porém toda a felicidade desta manhã se desmoronou e desapareceu, como que uma nuvem invejosa que não suportou ver um dia tão belo e teve um enorme regozijo em destrui-la, enquanto eu ousava ainda contemplar esta manhã.

Embrenhei-me então nos pensamentos em que esta manhã me fez enveredar. Senti que algures, num outro Mundo, ou até mesmo na casa ao lado da minha, encontrar-se-ia alguém a contemplar esta esplenderosa manhã e que, de súbito, teve de interromper este gesto, que ao invés de demorar uma fracção de segundos poderia demorar horas.

Foi então que me pareceu ouvir a tua voz, procurei-te por todas as nuvens que ameaçavam agora o equilíbrio do dia, procurei-te por entre as partículas atómicas que o vento transportava, procurei-te pelas janelas, pelos vidros do carros, mas nem um sinal de ti...fora apenas a minha iamginação, foi apenas o meu coração que te queria sentir e gritava por ti em silêncio, o coração ou a alma, um dos dois, pois só eles sabem a falta que me fazes e quão importante és para mim.

Talvez soe lamechas a vós, que continuam a ter paciência para ler os meus posts, contudo este é um post de saudade, é um post no qual eu destapo uma pontinha do véu e me mostro, mostro o meu interior e aquilo que sinto, mostro, acima de tudo, como em dias destes a saudade me arrebata avassaladoramente.

A tarde acaba de começar, vou segui-la e talvez abstrair-me desta saudade que se anuncia cada vez mais presente e que avisa que me não vai dar descanso...



sábado, 18 de dezembro de 2004

O inicio...

É uma simples noite, fria, calma e solitária. É só mais uma noite na qual me sento em frente do meu parceiro de longa data (o computador), que a muitos aborrece a existência desta cumplicidade entre mim e o mesmo.

Há tempos chegou esta moda de criar blogs...Depois de ter efectuado uma curta pesquisa aos blogs existentes na web, este mundo que tem de tudo e cada vez mais redundante e pouco interessante, com enúmeras falhas de informação, conclui que qualquer badameco faz um blog, escreve meia dúzia de inutilidades, coloca umas fotografias de raparigas esteticamente perfeitas, escreve dum modo quase imperceptível e bastante incorrecto, qual atentado à língua materna, e apelida-se de blogger...

Dou comigo a pensar: "É incrível o estado em que a mentalidade dos jovens que farão o amanhã do nosso Mundo chegou"...Esta é uma realidade e a mim provoca-me uma imensa angústia saber que há certos colegas meus, não querendo referir nomes, que para além de não possuirem qualquer tipo de valores, e não, não estou a enveredar pelo caminho da Filosofia, nao têm qualquer tipo de sensibilidade ou quem sabe capacidade para o Mundo que o circunda. É necessário que as pessoas NO MÍNIMO saibam o que se passa à sua volta e que saibam comunicar entre si, nao como os animais e outras bestas o faziam, mas sim como seres humanos RACIONAIS!!! Tenho pena que a maior parte das pessoas que me rodeiam, e que são da minha idade, vejam a vida como uma grande festa, não façam o que quer que seja para evoluir e que não saibam escrever muito mais que o próprio nome. Não me estou a referir, é claro, a pessoas sem posses e condições para receberem uma educação mínima, estou sim a referir-me a pessoas que se localizam em classes médias, que frequentam a escola, que andam limpos, alimentados e saudáveis. Constrange-me dum modo avassalador esta falta de brio e encontrar desenfuriadamente criaturas que apenas se importam em fumar uns cigarros, ter uns encontros, apanhar umas bebedeiras, ir ás aulas para poder ser expulso destas ou simplesmente para ver alguns amigos...

Bem, incrível como divago surpreendentemente quando não tenho um tema pré-definido para escrever.

Talvez aqueles que conseguiram chegar até esta parte do meu blog (sim, os resistentes que não desistiram a meio do artigo a que muitos chamarão secante, injusto e revolucionário) neste momento fiquem a pensar que este blog é só para reclamar, porém NÃO É!!! Quero apenas acrescentar a este post, já longo, que este é só um blog em que vou escrevendo sobre qualquer coisa, de qualquer maneira, em qualquer altura e com qualquer estado de espirito da minha pessoa.

Quissá em breve não escreva algo mais interessante...para saberem têm de continuar a passar por aqui (não, não estou a implorar que visitem o meu blog)

Despeço-me...