Nas mentes perfeitas que deambulam algures, ao sabor do vento, eu voou enquanto a corrente de sempre me liberta e me faz crescer.
A última vez que nos vimos, eu dançava ao som de músicas nossas, que já não são as de sempre. Muitas vezes culpo-me, mas não consigo imaginar porquê, visto que sempre me desejei o melhor; frequentemente, culpo-vos por não quererem o melhor para vocês, por viverem sempre dentro da vossa bola de perfeição imaginada, que fica aquém das expectativas mais altas, que fica aquém daquilo que um dia desejaram para vocês.
Sabia-me bem ter-nos por perto, no final de mais um dia, quando regressava a casa. Contudo, a nossa perfeição já não sabe ao mesmo que antigamente; os nossos abraços já não existem; restaram-nos os olhares que escondem o que pensamos realmente…
Entre o ar convencido de mais um cigarro, o olhar vazio de objectivos, um dia cuja lacuna de ocupação me endoidece e a vocês vos delicia; entre mais uma conversa onde me sinto retrógrada perante o que vocês acham ser o vosso senso comum…Entre tanto e nada, já não vos encontro todos os dias…Esporadicamente, quando as diferenças se anulam, quando opostos se atraem e iguais se repelem…
Um dia, tive saudades de regressar a casa…
Hoje, tenho saudades de regressar a vossa casa…As portas e as janelas estão abertas, bem sei…Mas, simplesmente, o círculo fechou-se sem que eu decidisse ficar lá dentro…Estarei à volta, mas não vou esperar que um lugar fique vago; há alturas em que simplesmente temos de deixar ir, seguir um rumo diferente, sem que isso signifique ficar de fora, para que isso simplesmente signifique que estaremos pelo que nos uniu um dia, mesmo quando não queremos nem pertencemos a esse lugar, lá dentro…
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