segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ao som do tic-tac do velho relógio de parede e aconchegada pela manta polar acabada de estrear, sinto-me em ti, tão longe, enquanto te sinto em mim…
O vento que ressoa lá fora traz-me à memória os momentos em que me sussurras no ouvido, enquanto me deixas adormecer, com o toque delicado das tuas mãos e o calor dos teus braços a envolverem-me…
Perante um sorriso rasgado, em que o mundo, lá fora, parece tão inexistente, tranquilizas o alvoroço interior que me representa ultimamente, onde uma infinidade de problemas se entrelaçam como se fossem amigos de longa data, sem pedirem permissão para entrar na vida uns dos outros. As lutas que travam entre si não se exteriorizam, mas tu sente-las, não sentes? É por isso que me abraças com força, no frio da noite, que agora nos serve de cenário…
Continuamos a tranquilizar-nos, sem que nada mais interesse, sem que o politicamente correcto atrapalhe a sinceridade de sentimentos puros, sem que esquerdo e direito se perturbem perante os seus sentidos antagónicos, sem que Verão e Inverno se combinem furiosamente, para se enlearem numa grave discussão de final de dia…
Dentro da nossa noite, em que olhares atentos são inexistentes e vozes intrometidas não fazem um zunzum perto do meu ouvido; só a ti ouve, só o teu murmúrio mais profundo e doce identifica, quando o consciente roça o subconsciente, no final de mais um dia…
A calma inunda-me sem que me aperceba, e tudo parece menos opaco e disforme do que quando a chuva empurrava fortemente as vidraças da janela verde do meu pequeno quarto, onde, apesar da frequência de toda a neblina deste Inverno, ainda me confere o aconchegante sentimento de pertença…
Continuas…Inspiras…Falas docemente, porque ainda não sabes quando será o momento em que adormeço finalmente…Não quero adormecer até que vás…Deixa-te ficar. Expiras…
Adormecemos os dois, enfim, de mãos dadas…
Acordei, agora, frente à velha secretária antigamente poeirenta e actualmente povoada por uma série de objectos de uma espécie caracterizada por uma infinidade de páginas agrupadas e promessas de mil e um sentidos científicos, que me servirão tão deliciosamente para sempre…Porém, esta paixão ficará para amanhã… Amanha lê-las-ei…Hoje, ficarei em nós…
Boa noite!…

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