domingo, 12 de outubro de 2008

Outono

O dia chegou ao fim e tu esperas-me à porta, com um sorriso e um beijo terno…É tão bom ver-nos chegar…
O teu sorriso acompanha-me até ao hall de entrada, escuro e frio, segue-me até ao quarto azulado, que nos serve de refúgio perfeito, para que o que nos une não seja equivocamente interpretado como mais um momento fantasista de duas pessoas, de sexo oposto, que servem de porto de abrigo, em mais um final de dia…
Não, não somos isso…somos um porto de abrigo tão fortemente fundamentado, que vai persistindo às chuvas torrenciais de um Outono tardio e aprecia um lindo sol de Inverno precoce…
Não temos regras, nem contratos…Somos o que somos sem que ninguém interfira nisso; somos dia e noite, Outono e Primavera, direita e esquerda… Mas somos tanto…
Ao sabor da chuva, lá fora, vou organizando frases soltas que julgo fazerem algum sentido, harmoniosamente colocadas umas a seguir às outras… Porém, creio que hoje não é o dia em que termino mais um excerto, inacabado, que se junta a outros na poeirenta secretária castanha, desgastada pelo tempo, pelas memórias e por tudo aquilo que sempre acumula…porque não quero terminar este, nem aqueles, nem os outros excertos, como uma daquelas histórias tão fugazes e fúteis que, até então, contavam…
Descobri e desvendei o mundo e o tempo em que já não perdemos; o céu está maior, o ar penetra-me tão mais livremente as vias respiratórias, a tua mão protege-me tão docemente enquanto caminhamos juntos…
Encontro no brilho suave dos teus olhos castanhos com tons de verde seco a tua parte meiga, vulnerável…encontro neles, a forma tão peculiar que tens de te dar…e rimo-nos…Também tu te ris da maneira característica que tenho para desmistificar as coisas complexas e de apelidá-las com tamanha simplicidade, e, por outro lado, de complicar o mais simples, embrenhando-me em divagações profundas sobre o nada…
Hoje, mais um dia, encontrar-te é a delícia do meu Outono, do nosso Outono, onde há cores, magia, emoção, folhas soltas que se acumulam ao sabor do vento, para fazer sentido…
Não sei até quando regressarás, não sei até quando regressarei eu, mas, há coisas que não têm de ter um fim explicado, definido…
Há coisas que não tem de ser apelidadas com a minha simplicidade, ou defendidas com a tua garra e convicção…Há coisas que somos nós…E, que hoje, só por ser Outono, me fazem chamar-te meu amor…
Semper Vestri

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