terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É em ti que vou ficar




O medo nunca matou.

Eu não sei onde tem andado o medo, algures numa cavidade cheia de mucos inseguros, que fica dentro de mim, num sítio onde ninguém sabe onde a luz penetra.

As noites são duras, frias, flageladoras e deixam cicatrizes para mais tarde recordar, num VHS tão velho, que acumula o pó, numa prateleira duma estante aparentemente nova.

Podia ver muito em ti, como canta a voz no rádio, que ritma o bater dos dedos nas teclas do companheiro que me ilumina o quarto frio…Devia ser quente, está cheio de objectos, passos, momentos e sentimentos, mas está frio, quase tão frio como lá fora, como a água que escorre pelos vidros da janela que dá para o exterior.

Um telefone toca e eu nem sei quem é…Não és tu, nunca podias ser… Não te lembras do meu silêncio nem da minha ausência.

Também não te lembras da noite em que ficaste entregue ao teu copo a meio, enquanto eu ficava numa sala tão cheia de gente…tanta gente, que me confunde…

Ainda sinto a tua presença, és tu…Abraço-te! Amo-te!...O sangue corre pelas artérias ensurdecedoramente, sinto o pulsar do teu peito junto ao meio, enquanto nos enlaçamos e a música acompanha os nossos movimentos despreocupados, porque não há mundo…

A música pára e afastas-me o cabelo dos olhos, que abro lenta e despreocupadamente…Uns olhos azuis brilhantes sorriem-me…Não são os teus!

Não sei onde estás agora, nem onde estiveste…Lá fora, ninguém sabe o que o escuro pode fazer, porque só conseguiram ver o que estava na clareza das luzes intermitentes, que eu nem notei e que tu ignoraste.

Foste arrastado, novamente, para o teu lugar e eu voltei também para o meu.

Queria desvendar o teu e o meu mundo, mas agora permaneço no meu abrigo e não desvendo tudo o que é tão novo e amplo…Nunca vi como é que a tempestade penetra em ti, nunca vi tudo o que escondes aí dentro, enquanto um dilúvio se acerca de mim.

Já é noite…Aqui tudo é mais fácil, habitual e meu…

Quero voltar a nós, seja para fazer, refazer ou desfazer aquilo que um qualquer medo um dia construiu e nunca mais derrubou…

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