terça-feira, 27 de novembro de 2007


Animadamente conversamos, enquanto os meus olhos percorrem a tua face; já alguma vez te disse como és bonito?

Não, tu não sabes que eu te observo, que me embebo nas tuas palavras, que te recordo na solidão do meu quarto verde-alface, no final de mais um dia em que não te encontrei.

Por onde andas? O que sentes? A tua solidez é como os teus passos, cheios de certeza e confiança? Fazes o mesmo sentido nos teus pensamentos e nos meus?

Quero embeber-me mais em ti, quero conhecer-te ao som duma música que ambos já escutámos mas que nunca prestámos atenção…Quero fazer parte desse teu mundo tão secreto, que eu tanto desconheço…Quero descortinar-te e descrever-te sucintamente, de olhos fechados, como se a tua imagem exterior e interior fossem uma só, perceptíveis e claras.

Será que, dentro, és tão bonito quanto eu penso?

Será que, dentro, também te consigo descrever, depois de te estudar e compreender?

Será que, dentro, terás uma porta em que eu possa ser a detentora das únicas chaves douradas, pequenas e brilhantes?

Será que, dentro, és quem eu sempre pensei que encontraria?

Não te sei, nem me sei. Não sei mesmo se um dia me saberás e nos saberemos.

Para já, fico-me com o sabor do teu olhar doce, das tuas palavras esporadicamente animadoras, das nossas conversas…

Para já, fica-me a ansiedade de voltar a ver-te um dia, talvez amanhã, ou daqui a uma semana, à beira do último degrau das escadas que pesadamente vou descendo, até ver o teu sorriso a abrir-se e a tua mão a envolver a minha cintura, com um “Bom Dia” a saber a tudo o que sei, e àquilo a que ainda não sei, mas que hei-de conhecer.

Até ao dia em que te disser “Boa Noite”, espero continuar a ver-te amanhecer.

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