sexta-feira, 26 de outubro de 2007


E eis-me aqui, finalmente sentada num carro gigante, que corre rápido, numa auto-estrada escura e sem fim. As suas rodas giram vorazmente, na pressa de cumprir um muito nobre horário.

Ah! Cumpre-o e leva-me para o sítio que me reconforta o corpo, descompressa a mente e me deixa cerrar com fervor as pálpebras, fechando as cortinas das janelas inseridas na complexa cavidade orbitária.

Não sei a cor do meu carro (sim, já me apoderei dele, visto que estamos numa sintonia perfeita; ele esperou-me e eu corri para poder usufruir da sua viagem inesperada); mas não importa a sua cor, nem quem mais vai dentro dele. Só interessam as placas que vou avistando e que rápido desaparecem; só interessam os milhares de postes de fontes luminosas que vão ficando para trás; só interessam as dezenas de carros em que lançamos os fumos das pressas e ultrapassagens.

Recosto-me e fecho os olhos.

Por entre frontais, etmóides, esfenóides, ciclos de histerese, Leis de Lambert-Beer, comportamentos de vinculação…PÁRO!!!!

Volto a abrir os olhos e sorrio; parecem todos mais inofensivos, agora que começo a recarregar a minha energia (cinética e química!).

A música que me ressoa nos ouvidos sabe a final do dia, a final da semana; mais uma semana do meu sonho cansativo; mais uma semana da minha estadia por estas paisagens terrenas; mais uma semana das primeiras do resto da minha vida.

E o carro gigante continua a comer asfalto.

Adormeci nos pensamentos e embalada pelas músicas da minha vida…

Volto a abrir os olhos e é de dia, o sol brilha, a luz ofusca-me e agrada-me.

CHEGÁMOS!

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