Acordo a meio da noite, regelada do banho de perguntas que me assolam, sempre que procuro o calor do leito.
Miserável sensação de impotência, indubitável ardor de incertezas, doloroso frio de sentimentos ardentes e ofuscantes, teimosia dolente que apazigua os impulsos…É tudo isso, e tanto mais que nada, sempre desautorizado no começo e consentido depois.
Já soube, mas já não sei o que procurar, nem tão pouco o que poderia alcançar. Tudo é um “não sei” resplandecente, pintado com letras garridas, que me ilumina e atordoa, com os primeiros raios de Sol da manhã, e me adormece com o chicotear de um luar tímido e sereno.
No meio de tudo, ou de nada (nem sei!), os números conversam animadamente com as letras; as letras trocam-se perversamente com as notas das partituras de músicas de uma vida, não da minha, nem da de ninguém, simplesmente de uma vida sozinha, melancólica, confusa e misteriosa.
Porque tudo parte do grandioso mistério do ser, em que não se sabe nada, mas tudo se sabe; tudo o que provocas e parte de ti continua difuso, tudo o que sinto e de mim parte permanece obscuro e secreto…
Ah…aquela brisa outra vez que clareia e esclarece tanto! Passou e de resto tudo ficou, menos para ti, que ouviste, sentiste, inspiraste e te perfumaste com o segredo eminente que ninguém ouvira antes; menos para mim, que falei de coisas sentidas, expirei e te banhei com a brisa nocturna de mais uma noite sem dormir, em que o medo corrompe as artérias e o ser, que, no entanto, nada é…
Obrigada por me dispensares breves momentos, em que me descubro e fico descoberta.
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