segunda-feira, 19 de março de 2007

As nossas memórias incitam-nos a entrar em locais dos quais podemos ter fugido durante tempos infindáveis.

As nossas memórias têm uma fronteira entre o medo e o sucesso, a força e o insucesso, a alegria e a incerteza…Por vezes, um passo ilusório, um dia agressivo, uma desilusão absolutamente pérfida fazem-nos submergir, corrompendo essa fronteira tão ténue, tão incolor, tão oculta.

Não sei como posso salvar-me dessa fronteira, nem sei a que portos atracar, depois de percorrer tantos porões, tantas caves, tantos espaços inóspitos…

Já não vejo a tua mão, nem o sorriso; simplesmente já não te vejo por entre as janelas indiscretas em que não me identificavas. Já não vejo ninguém, nem vocês, nem eles; só vejo um mar tumultuoso que vai arrasando a costa, enquanto os braços se revelam inférteis na tentativa de salvamento do tanto que se havia construído.

A sucessão de dias vai arrasando tudo o que se construiu e eu, mera observadora, imagino-me também a mim a ser arrasada, essa personagem construtora a ser demolida pela força das ondas que rugiam; nem os vestígios do passado ficavam; nem os vestígios do que tinha feito; nem a força que o proporcionou…
Ficava o nada, o vazio…

E assim fico, com o queixo repousando no antebraço, com a chuva a furar as vidraças que me fizeram aceder às memórias…

Estou num dos lados da fronteira, perdida e só. Recuo e avanço, numa indecisão afogueada pela incerteza de como será o amanhã…

O meu suspiro é parado por um sorriso teu…É a tua maneira de me salvar, sem o saberes.

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