quarta-feira, 6 de abril de 2005

Mais um dia

Este texto foi escrito há alguns tempos, mais precisamente a 7 de Dezembro de 2004. Não sei porquê, agora depois de lido e relido continua a mexer comigo e creio que todos nos sentimos assim, como eu descrevo, em muitos dias da nossa existência.
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Mais um dia, mais uma sequência de horas, de minutos, de segundos inacabáveis...

Suspeito que a realização pessoal é uma meta cada vez mais inatingível ou então a distância até lá tende fugazmente a aumentar cada dia que pesarosamente se atreve a fluir. Olho em meu redor e depreendo da imensidão de caras que me rodeiam inúmeras expressões de rostos constrangidos que me fitam carregados de olhares perplexos indiciando-me, a mim, de uma aterradora loucura. Todavia não é pelos outros que me encontro neste preciso momento sentada nesta cadeira, que qualquer um manteria acordado, mas que a mim me oferece uma apetitosa e bárbara sonolência e me impinge o peso das pálpebras que vão prolongadamente pestanejando; encontro-me aqui sim para reflectir por que motivo a minha satisfação, que deveria alcançar agora o seu auge, se encontra reduzida a uma insignificante partícula em suspensão na massa atmosférica.

Apetece-me gritar em silêncio, quero rir do choro que está prestes a desabar, quero soltar-me do pranto que vai aprisionando os meus sentidos e, segundo os olhares observadores e conhecedores da minha verdade, me está a tornar apática.

O barulho, (ou deverei apelidá-lo de ruído?), de um simples marcador que cai sobressalta-me e faz manifestar o nervosismo em que a minha alma se prende. A ansiedade e a vontade de poder dar mais e mais de mim, talvez seja mais correcto designá-la por necessidade, deixa-me insatisfeita comigo. Por mais que tente dar importância aos factos positivos que superam muitas vezes os negativos, a insatisfação penetra-me e não me deixa levar a tal “vida de plenitude” a que todos aspiramos.

Poderia agora ter escrito sobre uma outra variante que me tem preenchido, ainda que não na totalidade pois a vida dos homens não se cinge a uma única variante, contudo achei-a demasiado bela para declamar no estado pouco agradável e muito contraditório em que a minha mente e o meu próprio corpo se encontra.

Vou ceder ao tal peso das pálpebras. Hoje fui apenas mais uma vencida, quiçá amanhã algo mais venha a acontecer ou algo mais venha a ser impulsionado por mim.

2 comentários:

  1. Guizinha...

    Muitos parabens pelo teu blog, continua a dar-nos a todos o previlégio de ler as tuas lindas palavras

    beijinhos para ti :)

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  2. Pois é..+ um daqueles Q eu adr=)s soubesses cm t compreendo..=\
    Nem sei Q t diga +..pa dizer asneiras + vale tar calado..ja diria a dna.Quedinha=p
    Esse texto caracteriza msm o mês d Dezembro..c/ aQueles pensamentos "de fazer chorar o coração".. mas enfim..a vida é mesmo assim..e o Q tiver d ser..será..bjões mlhérr=)té amo(=

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