Aquela sombra envolvente que me amedrontou durante todas aquelas noites e tardes solitárias esvaiu-se, a angústia que me atemorizava e, inconscientemente, me vinha avisar de que estávamos cada vez mais longe desvaneceu-se, todo o desespero com que fui confrontada por mérito próprio, por pura estupidez, puro egoísmo, findou-se. O ar que voltei a respirar, depois do meu estado hipnótico e hibernante, pareceu-me mais aliciante, mais delicado, mais doce, pareceu-me existir mais beleza no mundo, pensei que durante a viagem que fizera a mim mesma tudo havia mudado de tal forma que agora atribuía um significado mais importante a pequenas coisas que jamais considerara serem tão fundamentais.
Deambulei por ruas que um dia julguei aterradoras, frias, sujas; conheci recantos do meu espaço que durante muito tempo permaneceram abandonados inocuamente; somente nesta longa viagem um pequeno pedaço daquilo que eu sou, fui ou virei a ser desvendei porque hoje tento conhecer-me e acho que, após ter embrenhado por mim a dentro vi o valor de tudo o que me rodeava.
Um beijo teu não continuará a ser simplesmente um beijo, mas sim uma infinidade de moléculas de oxigénio que permitem que sobreviva, extasiando-me simultaneamente; o teu toque, do qual me sinto carecida, passará a valer tanto quanto a água é necessária para todos os seres que ousam viver neste mundo; a convivência com aqueles que, nas horas amarguradas, me seguem e mostram o caminho propício a seguir, que me demonstram, no meio de tudo o que é malevolente, que eles são o bom no brejo, o porquê de continuar em frente, com força e coragem, o motivo para continuar a erguer a cabeça e simplesmente sorrir porque eu existo e eles também, porque todos existimos em conjunto.
Todavia foste tu que, subitamente, me deixaste aqui a desesperar, banhada de incertezas que nem eu própria entendo, inundada por pensamentos indignos que me fazem corar no âmago, reflexões irreflectidas que me assombram tão fugazmente que temo que tu e todos aqueles que me ajudam a viver descubram que sou débil, que não tenho tanta segurança quanto aclamo.
As infindáveis tardes que passámos a conversar, lembras-te? Os beijos, abraços e toques que ousámos experimentar, tudo isso me inunda, em pequenas cenas sem sentido, mas que me aconchegam a alma expectante que, neste momento, vive em constante sobressalto. Quando será que volto a pousar o meu olhar sob o teu rosto alegre, um pouco infantil, escondido por entre esse ar de pré-adulto, muitas vezes ironicamente censurado por mim, a menina? Será que vou sentir o mesmo de sempre: uma imensa vontade de me recolher nos teus braços, que percorrerão o meu corpo, aos poucos já conhecido pela tua intromissão em mim? São estas as constantes incertezas que me acometem.
Durante as longas noites que me adormecem, acordo em agitação, a minha alma chora por te não enxergar, o meu corpo não acata as ordens que lhe emito e vagueia pela terra dos desgarrados, sem cessar a louca demanda que o coração fustigado lhe impinge. A esperança, essa desvairada, não me abandona; sabe que necessito dela para continuar a acreditar em mim, neste sentimento que nasceu e se enraizou, que me habituou à sua presença… Até que ponto não será uma obsessão? Onde será transposta a barreira da lucidez e embrenhar-me-ei numa dolorosa situação de punição?
Tu continuas pelas tuas expedições e a mim me deixas entregue ao subconsciente conhecedor que me fricciona contra a alma a mágoa de todas as dúvidas assombrosas que subsistem ainda…
Até depois, dir-te-ia eu, até breve, dir-te-ia o meu corpo, até sempre, dir-te-á o meu afecto.
Deambulei por ruas que um dia julguei aterradoras, frias, sujas; conheci recantos do meu espaço que durante muito tempo permaneceram abandonados inocuamente; somente nesta longa viagem um pequeno pedaço daquilo que eu sou, fui ou virei a ser desvendei porque hoje tento conhecer-me e acho que, após ter embrenhado por mim a dentro vi o valor de tudo o que me rodeava.
Um beijo teu não continuará a ser simplesmente um beijo, mas sim uma infinidade de moléculas de oxigénio que permitem que sobreviva, extasiando-me simultaneamente; o teu toque, do qual me sinto carecida, passará a valer tanto quanto a água é necessária para todos os seres que ousam viver neste mundo; a convivência com aqueles que, nas horas amarguradas, me seguem e mostram o caminho propício a seguir, que me demonstram, no meio de tudo o que é malevolente, que eles são o bom no brejo, o porquê de continuar em frente, com força e coragem, o motivo para continuar a erguer a cabeça e simplesmente sorrir porque eu existo e eles também, porque todos existimos em conjunto.
Todavia foste tu que, subitamente, me deixaste aqui a desesperar, banhada de incertezas que nem eu própria entendo, inundada por pensamentos indignos que me fazem corar no âmago, reflexões irreflectidas que me assombram tão fugazmente que temo que tu e todos aqueles que me ajudam a viver descubram que sou débil, que não tenho tanta segurança quanto aclamo.
As infindáveis tardes que passámos a conversar, lembras-te? Os beijos, abraços e toques que ousámos experimentar, tudo isso me inunda, em pequenas cenas sem sentido, mas que me aconchegam a alma expectante que, neste momento, vive em constante sobressalto. Quando será que volto a pousar o meu olhar sob o teu rosto alegre, um pouco infantil, escondido por entre esse ar de pré-adulto, muitas vezes ironicamente censurado por mim, a menina? Será que vou sentir o mesmo de sempre: uma imensa vontade de me recolher nos teus braços, que percorrerão o meu corpo, aos poucos já conhecido pela tua intromissão em mim? São estas as constantes incertezas que me acometem.
Durante as longas noites que me adormecem, acordo em agitação, a minha alma chora por te não enxergar, o meu corpo não acata as ordens que lhe emito e vagueia pela terra dos desgarrados, sem cessar a louca demanda que o coração fustigado lhe impinge. A esperança, essa desvairada, não me abandona; sabe que necessito dela para continuar a acreditar em mim, neste sentimento que nasceu e se enraizou, que me habituou à sua presença… Até que ponto não será uma obsessão? Onde será transposta a barreira da lucidez e embrenhar-me-ei numa dolorosa situação de punição?
Tu continuas pelas tuas expedições e a mim me deixas entregue ao subconsciente conhecedor que me fricciona contra a alma a mágoa de todas as dúvidas assombrosas que subsistem ainda…
Até depois, dir-te-ia eu, até breve, dir-te-ia o meu corpo, até sempre, dir-te-á o meu afecto.
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