quinta-feira, 21 de abril de 2011

Passos perdidos no corredor que liga o hall de entrada ao quarto. Vão a quatro e quatro, escondidos, tímidos, apressados, na ânsia que não sejam vistos. Sentem um arrepio a percorrer toda a região dorsal, a tocar na nuca, a soprar no pescoço…

O coração bate, bate para nada…

Podia ser tão perfeito, este momento parado e perdido no tempo, escondido nas paredes pintadas à pressa e já amarelecidas pelo tempo, se fosse tomado acefalamente, entre um trago de chá quente de maçã canela e um piscar de olhos enternecido pelo vislumbre de uns olhos doces.

Mas para ti, qualquer coisa seria melhor se fosse só teu, e tu, e a tua volta perdida, nos complexos pensamentos de sentimentos vividos pela metade, aprisionados pelo intelecto que não te deixa soltar. Afinal, tudo tem a ver com a razão.

O prazer estala com os movimentos das articulações ansiosas, expectantes, clamantes pelo desejo de um descompromisso enfaixado no segredo de um saber tão bem. Enlaçam-se braços e abraços, beijos que ficaram no caminho, no subir das escadas, no elevador a caminho de casa, num trocar de olhares envergonhado e culpado entre uma folha de papel branca e mais um parágrafo do livro do costume.

Ah! Esse ar superior que te mata… Esconde o tremelicar das pernas e o saber bem do segredo. Queria aprovar-te, agora sim, que me apetecia falar do que sinto, desta força, que vem daquilo que eu vejo, que és tu, numa pequena essência simples, que enche de aromas aquele cubículo fechado. Não sei quem és.

Afinal, tento ver, para além de olhar. Às vezes, esse castanho esverdeado brilhante dos teus olhos tenta soltar palavras que eu não compreendo. Que te falta dizer?

Ah! Não quero essa prisão, que nos tira a razão.

Ah! Não quero acordar e pensar que o dia despertou sem que eu visse mais um sorriso fechado e incompreensível.

No fim, tu e eu sabemos onde encontrar essas coisas que queremos destruir e não queremos conservar dentro de nós.

No fim, o despertador toca e, pelo caminho, fica o sol a entrar pela escuridão do quarto amarrotado e o aroma de uma noite anterior, com troca de sentimentos escondidos e amedrontados.

Sabes, não temos de mudar, nem querer quem nos quer mudar, pois quem nos quer bem, e nos quer conhecer, assim ficará, entregue à angústia do tempo a passar sem mais nada saber.

No rádio, toca uma música conhecida, enquanto caminho para o meu dia, vestida da roupa clássica do parecer bem, qual actriz de cinema… Fica a ecoar-me na mente até logo, quando a quatro e quatro entrarmos de novo:

“Hoje eu nem dormi a tentar entender entre o que eu sinto e o que eu te digo, o que é feito de nós e o que vai ser...”

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