Hoje é um daqueles dias brilhantes, em que o Sol de Inverno espreitou por entre as nuvens dos dias que têm decorrido, sempre com a mesma calma, sem um tic-tac apressado…
Fitei o horizonte lá fora, enquanto, a custo, mantinha os olhos abertos, pela luminosidade…É um dia deslumbrante, o de hoje…
Procurei-te por entre as nuvens, o céu, o sol, à espera de encontrar o teu olhar a cruzar-se com o meu, porque também tu aprecias este dia que amanheceu tão belo, simples e delicioso. Queria abraçar-te e dar-te os bons dias, porque o dia de hoje chegou tão rápido, sem que nenhum de nós quase desse por ele.
Queria sentir o teu abraço prolongado, o teu olhar terno, cor de mel, a fitar-me atenciosamente, com um ar deliciado, como se nada mais importasse…Sem que se importasse com as imperfeições, com as lacunas, com o tempo, com o espaço.
Queria sentir-te, só hoje…
Queria comemorar contigo, enquanto sorríamos e nos brindávamos intensa e carinhosamente com todo um elixir que criámos, a que muitos dão um nome específico, mas a que eu teimo em chamar simplesmente “Nós”.
Queria sentir-te, só hoje…
Imagino-te enquanto me acaricias a face e alisas os cabelos, à espera que as minhas pálpebras cedam e o nosso dia finde, de um modo tão perfeito quanto o seu início resplandecente.
Queria sentir-te, só hoje…
Imagino-nos, um ser só com duas almas, que caminham juntas, sem que mais nada interesse…Nada mais interessa, para além do sol que nos ilumina, o vento que nos chicoteia os corpos leves e a brisa de ondas suaves que nos alimenta, à medida que se desmancham numa espuma divinamente cândida.
Queria sentir-te, só hoje…
Fora, o dia vai passando, deleitado com a sua perfeição e nós continuamos a buscar o olhar um do outro, algures no horizonte perdido, do nosso dia que finda. O pôr-do-sol anuncia-nos que hoje passou e o nosso dia permaneceu na distância física limitante; todavia, amanhã será mais um dia, e fá-lo-emos nosso, tal como o dia seguinte e depois…
Por hoje, por amanhã, para sempre…Só queria sentir-nos!
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