O teu olhar irradia pureza e docilidade; a tua voz ciciante alucina-me, enquanto mergulho por dentro das tuas palavras; os teus olhos serenos e convictos, emotivos e honestos elucidam-me de quão fácil pode ser lutar e não desistir, enfrentar os medos, procurar-me, desta vez, sem ter medo de ver o que não quero.
Não sei onde te fui encontrar, nem sei bem porquê, todavia lá estavas tu, numa das encruzilhadas que se nos apresentam sem pedir permissão, entre gravilhas soltas que pontapeei e alcatrão acabado de calcar. Afinal, até nas nossas batalhas emocionais surgem pontes entre caminhos alcantilados e estradas novas, sem sulcos provocados por um passado duvidoso…E talvez seja isso, um espelho que me fala, uma voz que me guia, um lápis que me contorna e desenha a próxima saída, um simples sorriso gentil que me fascina…Talvez seja só esse tão grande vestígio que provocarás, sem depravação decidida sem querer por sentimentos, tantas vezes chamados puros.
Nada é puro, nem a pureza que irradias tão galantemente, nem o traço do lápis que vai subtilmente deixando um rasto ao longo duma folha encrespada e branca, nem o espelho liso que reflecte um cenário transcendente, inatingível. Só o nada consegue ser puro, por exactamente ser nada…
É isso que afinal somos, para além de nada…Somos puros. Nada temos ainda a corromper e a perverter a pureza que assumimos num estado primordial, esse estado primordial tão fascinante e intenso, tão inútil e escondido, tão fraco, frágil e subtil.
No entanto, nada sabemos sobre um estado primordial que não encontramos, nada sabemos sobre o nada que somos, nada sabemos de sentimentos que corrompem a pureza, nada sabemos de nós…Nada sabemos sobre o nosso nada, visto que sobre ti nada sei, sobre mim nada sabes, e sobre mim já nada quero saber.
Era aí que entravas, (ou foi aí que te coloquei?), na parte em que eu quereria saber algo sobre mim e tu ajudar-me-ias a descobrir sem ter medo. Só a ti te confessei o meu medo, quando cria que não existias a não ser nos meus ouvidos atentos, no meu olhar flamejante e em toda a minha anatomia distorcida e confusa que sempre reneguei conhecer interiormente.
Quantos terão sido já os que pisaram o meu dédalo, me ofertaram um breve sorriso, beberam o meu exterior, sem nunca sequer se acercarem do interior? Quantos terão sido os que foram tudo e tanto, pouco e muito, mas que jamais ousaram ser meramente nada, como tu, e fazerem tanto por nada serem?
Espero a brisa que me leve, enquanto vasculho um interior que desconhecia.
Espero o fado que me dite as quimeras que desde sempre me alimentam e que tu apoias, com essa gargalhada sonora, essa leveza inata e essa mão calma pousada sobre a minha.
Espero que de nada, passes a tudo, ou algo passe a tudo…Não tens de ser tu, nem tenho de ser eu…Não temos de ser nós! Não sei o que tem de ser, o que há para ser…
Gosto do nada que somos.
Não sei onde te fui encontrar, nem sei bem porquê, todavia lá estavas tu, numa das encruzilhadas que se nos apresentam sem pedir permissão, entre gravilhas soltas que pontapeei e alcatrão acabado de calcar. Afinal, até nas nossas batalhas emocionais surgem pontes entre caminhos alcantilados e estradas novas, sem sulcos provocados por um passado duvidoso…E talvez seja isso, um espelho que me fala, uma voz que me guia, um lápis que me contorna e desenha a próxima saída, um simples sorriso gentil que me fascina…Talvez seja só esse tão grande vestígio que provocarás, sem depravação decidida sem querer por sentimentos, tantas vezes chamados puros.
Nada é puro, nem a pureza que irradias tão galantemente, nem o traço do lápis que vai subtilmente deixando um rasto ao longo duma folha encrespada e branca, nem o espelho liso que reflecte um cenário transcendente, inatingível. Só o nada consegue ser puro, por exactamente ser nada…
É isso que afinal somos, para além de nada…Somos puros. Nada temos ainda a corromper e a perverter a pureza que assumimos num estado primordial, esse estado primordial tão fascinante e intenso, tão inútil e escondido, tão fraco, frágil e subtil.
No entanto, nada sabemos sobre um estado primordial que não encontramos, nada sabemos sobre o nada que somos, nada sabemos de sentimentos que corrompem a pureza, nada sabemos de nós…Nada sabemos sobre o nosso nada, visto que sobre ti nada sei, sobre mim nada sabes, e sobre mim já nada quero saber.
Era aí que entravas, (ou foi aí que te coloquei?), na parte em que eu quereria saber algo sobre mim e tu ajudar-me-ias a descobrir sem ter medo. Só a ti te confessei o meu medo, quando cria que não existias a não ser nos meus ouvidos atentos, no meu olhar flamejante e em toda a minha anatomia distorcida e confusa que sempre reneguei conhecer interiormente.
Quantos terão sido já os que pisaram o meu dédalo, me ofertaram um breve sorriso, beberam o meu exterior, sem nunca sequer se acercarem do interior? Quantos terão sido os que foram tudo e tanto, pouco e muito, mas que jamais ousaram ser meramente nada, como tu, e fazerem tanto por nada serem?
Espero a brisa que me leve, enquanto vasculho um interior que desconhecia.
Espero o fado que me dite as quimeras que desde sempre me alimentam e que tu apoias, com essa gargalhada sonora, essa leveza inata e essa mão calma pousada sobre a minha.
Espero que de nada, passes a tudo, ou algo passe a tudo…Não tens de ser tu, nem tenho de ser eu…Não temos de ser nós! Não sei o que tem de ser, o que há para ser…
Gosto do nada que somos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário