Caminhavas rua abaixo, calmamente. Nunca ostentavas urgência ou pressa. Tudo te fluía tão doce e ternamente…
Mão esquerda no bolso das calças sovadas, tão características…
Na mão direita seguravas o teu cigarro matinal.
Continuavas a descer a rua, sempre na mesma passada. Ninguém te adivinhava já atrasado para um qualquer compromisso inimaginável.
As costas curvadas e olhos no chão.
Nunca apreciaste o chapéu-de-chuva que tantas vezes tentámos partilhar, mas em vão; sempre parecia termos ultrapassado um qualquer dilúvio caseiro. A chuva frágil, quase tão frágil como eu, importunava-te. O cabelo, sempre rigorosamente domado pelo teu gel aromático, desobedecia-te, mudando o lugar que previamente lhe havias destinado.
Saltavas as poças fugidiamente, mas sempre sem pressa.
Rua abaixo e eu observava-te (ou imaginava observar-te).
Subia a rua sem te ver, sem te querer ver; sempre com o meu ar apressado; sempre com o meu ar incomodado, pela chuva que me gotejava as lentes dos preciosos óculos.
Desde que decifrei a tua silhueta no horizonte, distinta, sempre distinta, por entre as casas amareladas pelo tempo, as árvores despidas pela estação, os carros molhados pela chuva miúda, planeio um qualquer “bom dia” repleto de palavras ou de uma natureza diferente, especial, sentimentalista, mágica; porém, só me ocorrem carimbos ou selos lambidos.
Sabes o que durante tanto tempo escondi, até de mim mesma.
Sabes o que ainda hoje não manifesto, visto que me consegues despir de artefactos e decorações que, todas as manhãs, pesadamente coloco.
Ergues finalmente o olhar a uns escassos centímetros. Estás tão longe.
Sorris, mostrando os lábios sedutores e os dentes divinamente perfeitos. Perco-me.
Perco-me no brilho do teu olhar e só articulo um simples “olá”, tão tacanho quanto eu.
“Olá”, ainda a sorrir.
“A chegar tarde de novo?”, em uníssono. Não contivemos a gargalhada.
Ousei um toque casual na tua mão, propositadamente. Estavas frio e o cigarro ainda ardia, extinguindo-se por entre as palavras que não proferia. Com um beijo terno na face cessavas o nosso encontro por hoje.
Seguiste o teu caminho, enquanto eu ficava enraizada na gravilha solta. Via-te a afastar…Tão longe. Tão perto. Abarquei aquela saudade melancólica.
Pus a minha mão esquerda no bolso.
Coloquei a mão direita na face. Ainda ali estavas; a tua essência ficara naquele breve toque roubado.
Acendi um cigarro que não era meu; curvei as costas e olhei para a calçada disforme, enquanto caminhava subtilmente. Não era eu.
“Até amanha”, suspirei. E segui.
Mão esquerda no bolso das calças sovadas, tão características…
Na mão direita seguravas o teu cigarro matinal.
Continuavas a descer a rua, sempre na mesma passada. Ninguém te adivinhava já atrasado para um qualquer compromisso inimaginável.
As costas curvadas e olhos no chão.
Nunca apreciaste o chapéu-de-chuva que tantas vezes tentámos partilhar, mas em vão; sempre parecia termos ultrapassado um qualquer dilúvio caseiro. A chuva frágil, quase tão frágil como eu, importunava-te. O cabelo, sempre rigorosamente domado pelo teu gel aromático, desobedecia-te, mudando o lugar que previamente lhe havias destinado.
Saltavas as poças fugidiamente, mas sempre sem pressa.
Rua abaixo e eu observava-te (ou imaginava observar-te).
Subia a rua sem te ver, sem te querer ver; sempre com o meu ar apressado; sempre com o meu ar incomodado, pela chuva que me gotejava as lentes dos preciosos óculos.
Desde que decifrei a tua silhueta no horizonte, distinta, sempre distinta, por entre as casas amareladas pelo tempo, as árvores despidas pela estação, os carros molhados pela chuva miúda, planeio um qualquer “bom dia” repleto de palavras ou de uma natureza diferente, especial, sentimentalista, mágica; porém, só me ocorrem carimbos ou selos lambidos.
Sabes o que durante tanto tempo escondi, até de mim mesma.
Sabes o que ainda hoje não manifesto, visto que me consegues despir de artefactos e decorações que, todas as manhãs, pesadamente coloco.
Ergues finalmente o olhar a uns escassos centímetros. Estás tão longe.
Sorris, mostrando os lábios sedutores e os dentes divinamente perfeitos. Perco-me.
Perco-me no brilho do teu olhar e só articulo um simples “olá”, tão tacanho quanto eu.
“Olá”, ainda a sorrir.
“A chegar tarde de novo?”, em uníssono. Não contivemos a gargalhada.
Ousei um toque casual na tua mão, propositadamente. Estavas frio e o cigarro ainda ardia, extinguindo-se por entre as palavras que não proferia. Com um beijo terno na face cessavas o nosso encontro por hoje.
Seguiste o teu caminho, enquanto eu ficava enraizada na gravilha solta. Via-te a afastar…Tão longe. Tão perto. Abarquei aquela saudade melancólica.
Pus a minha mão esquerda no bolso.
Coloquei a mão direita na face. Ainda ali estavas; a tua essência ficara naquele breve toque roubado.
Acendi um cigarro que não era meu; curvei as costas e olhei para a calçada disforme, enquanto caminhava subtilmente. Não era eu.
“Até amanha”, suspirei. E segui.
Hmm chuva, cigarros matinais, um bom post influenciado pela vidinha da escola.
ResponderExcluir"Ainda ali estavas; a tua essência ficara naquele breve toque roubado.
Acendi um cigarro que não era meu; curvei as costas e olhei para a calçada disforme, enquanto caminhava subtilmente. Não era eu."
E sem falta nenhuma o meu companheiro intemporal pa discutir assuntos do inconsciente, é o velho cigarrinho!
E dizem que fumar faz mal ein?
Gostei ;) Kero mais!
DIVINAL!!! ;) continua!
ResponderExcluirTipico de uma manhã de Inverno, a caminho da escola.
ResponderExcluir:P
Como também eu queria encontrar a tal pessoa, numa manhã a caminho da escola...
Faz-me tanta falta. Tanto mal...
Doi tanto amorzinho.
Tu sabes. Felizmente e infelizmente compreendes-me.
Mais uma vez, adorei.
:)
Amo vc.
*
hi hi tive a honra de ser o 1º a ver este texto,e é incrivel como nos faz sempre voar c/ a imaginação..parece q te estava a ver a sorrir dps de tudo isto ter acontecido,um sorriso daqueles q esconde tudo o resto,enqto eu corria p'ra ti com o belo cheiro matinal a gasolina,roubando-te um bafo e dizendo: " Âna...bêja-mé!!!"
ResponderExcluiróhh mor, ta lindo como sempre mas sabes q aqui o palhacinho n podia deixar de tentar vir palhaçar p'ra puxar p'ra cima toda esta conotação triste!!!!
te amo bella**
chulozeco*
nao sei nao...
ResponderExcluirmais um bonito texto
**
já tinha lido, mas só agora tenho tempo para comentar. :)
ResponderExcluirquantas vezes as coisas se arrastam assim nos gestos dos outros, daqueles a quem queremos bem.. revivemo-los assim um pouco, vivem um pouquinho mais em nós, aproximam-se.
=) gostei muito.
beijinhos**