sexta-feira, 19 de agosto de 2005

Um fim..

A pedido da minha cara amiga Finn, mas também porque eu própria achei o final deste post um pouco "sonso" decidi editá-lo depois de escrito. Não alterei muito e acrescentei mais umas frases no final (Siiiiim eu sei que vai ficar com um tamanho enorme :P). Espero que a alteração seja do agrado de todos os meus (escassos) leitores...pelo menos da minha é ;)
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Acordou e olhou para o seu lado. A mesma cara das últimas noites, dos últimos meses, dos últimos anos…Ele era especial, sem dúvida; com ele tinha vivido os melhores tempos de sempre, aprendeu a descer daquele pedestal de frieza, desconfiança e fixidez em que havia posado. Viu céus mais estrelados, viu maior brilho no nascer do dia, sentiu melhor sabor no pequeno-almoço acompanhado, sentiu o estado da perfeição a penetrar a sua alma e a ser visível no seu corpo, na sua face, nos seus lábios, nos seus olhos...

Caminharam, unidos na mesma estrada, durante tanto tempo que mais parecia uma eternidade; juntos construíram um longo, destemido e forte exército que resistia às maiores tempestades que alguma vez poderiam ter desabado. Subitamente, sem qualquer explicação, os olhos dela já não brilhavam como dantes, os pequenos-almoços sabiam ao desgraçado bafio do hábito, o dia nascia da mesma maneira de todos os dias e o sol punha-se sempre no mesmo movimento pachorrento que, em tempos, ela tanto idolatrara na companhia dele, o seu amor, o seu grande amor na visão de muitos.

Não conseguia suster mais aquele peso, aqueles sentimentos oprimidos que a seguiam em todas as esquinas e ruelas, a todas as horas, até mesmo nos momentos de suposto sossego, a noite, quando adormecia. Sonhava numa boa maneira de lho dizer pois ele simplesmente não merecia viver enganado, como que numa sombra de clemência, e ela não conseguia sustentar mais aquela situação de regresso ao passado que se arrastava num presente que não era o seu, que se arrastava e a levava a viver uma vida que não lhe pertencia e que ela não queria.

Ele movimentou-se nos lençóis amarrotados duma noite de insónia, ela assustou-se. Sentia-se como que apanhada nos próprios pensamentos, o coração iniciou um ciclo de movimentos mais acelerado e deu-lhe sinal que era altura de estancar aquela situação. Ele murmurou baixinho:
_ Bom dia, meu amor.
Começou a beijá-la, abraçou-a; as mãos dele vagueavam pelo seu corpo, os seus lábios provocavam-na, arrepiando-a. Uma lágrima atraiçoou-a e escorreu-lhe pela face; afastou-se dele.
_Já é tarde, é melhor levantares-te. Eu vou embora, tenho assuntos para tratar. Até logo.
Assim o deixou, mais uma vez especado, contemplando-a como se não a conhecesse ainda. Sabia que havia ali algo mal, contudo temia perguntar-lhe pois pressentia que não gostaria de ouvir, no fundo sabia do que se tratava.

À noite, uma vez mais juntos, ela iniciou uma conversa estranha, a tal conversa temida. Ela sentia-se como que envolta numa vida que não era a sua, enveredando numa história de amor que para ela já se havia extinguido há tempos. Ele não era mais o seu amor nem a pessoa com quem ela queria ficar; ele não era mais o motivo para que os seus olhos brilhassem, nem o motivo para que os dias parecessem árduos perante a distância daquelas duas almas que tão bem já se conheciam e que, porém, nada sabiam uma da outra.
Ele olhou-a e teve de imediato a resposta à pergunta que há tanto o atemorizava “será que a faço feliz?”. Era mais que óbvio que não, julgava ele, se não porquê aquele fim tão descabido, tão repentino? Sentiu uma raiva momentânea daqueles olhos doces, daquela face retorcida como que numa dor que também se emergia daquela pele tão suave que o extasiava. Depois de tudo ela ainda o deslumbrava, mesmo depois de tê-lo apunhalado, usado, magoado ela ainda o excitava e ele ainda a desejava…Nunca pensara que um dia pudessem acabar assim, num fim triste a uma mesa de jantar repleta de iguarias que disfarçariam a tristeza daquela ocasião sufocante.

Ela continuava estancada naquela cadeira dura, mais dura agora depois de ter esvaziado tudo o que a transtornava mas que, simultaneamente, magoava aquele homem, aquele ser que tanto a amava e que agora sofria ali, no silêncio do seu orgulho. Sentiu vontade de abraçá-lo todavia considerou não ser o melhor dos gestos nem a altura apropriada. O melhor seria deixá-lo entregue a si mesmo, levantar-se e dar-lhe todo o tempo do mundo para que a odiasse naquele silêncio gélido que se segue ao rompimento duma bela história de amor que, por motivos desventurados, cessou; por causa da merda dos sentimentos. Sentia-se uma asna, magoava-o e ele não merecia. De qualquer modo, não podia arrastar mais aquele caso que para ela já não fazia sentido. Era atroz, confuso romper com tudo ali, à luz daquelas velas altas que ardiam, ignorando tudo o que se sucedia; porém era inevitável.

Ergueu-se finalmente e sussurrou:
_ Desculpa, mas não julgues que foi fácil para mim. Se precisares de mim, sabes onde me encontrar. Estou lá para tudo o que necessitares pois não quero que desertes e me odeies. Podemos tentar ter uma relação saudável, de amizade...
Ele olhou-a e suspirou:
_ Amigos tenho muitos…Mas descansa, não te vou odiar. Afinal de contas não te posso recriminar pelo que sentes...Além disso fizeste com que eu me tornasse alguém muito melhor, devo-te os momentos mais felizes da minha vida...Até breve, procurar-te-ei um dia.
Ela beijou-o na testa e segredou-lhe:
_ Nem uma vez na minha vida me arrependerei de tudo o que se passou entre nós. Foste das melhores coisas que alguma vez me pode ter acontecido, mas agora acabou e ambos teremos de viver com isso. Até breve, amigo.

Saiu e fora, enfim, respirou um ar que lhe pareceu mais leve; ela própria estava agora mais leve. Deambulou pelas ruas e via de novo um pequeno brilho a nascer dentro de si. Fizera o que tinha de ser feito, agora teria de seguir em frente e viver a vida que sabia agora sua.
Ele permaneceu sentado naquela mesa, agora convicto que estava só. Nunca havia imaginado um fim assim, tão sem dramas e tristezas ardentes, contudo preferia-o assim. Sabia que teria ali uma amiga, disso nunca havia duvidado. De qualquer modo agora era tempo de querer odiá-la, de querer sentir raiva dela, para depois ela lhe ser indiferente e ficar apenas a nostalgia dos bons momentos que passaram.
A nostalgia permaneceu dentro deles durante imenso tempo mas ambos seguiram os seus novos caminhos, as suas novas estradas que já não se chegaram mais a cruzar. Depois de toda a mágoa, ele seguiu um novo rumo, com uma nova ela, um novo amor que talvez agora ele considere o amor da sua vida. Ela, também com um novo destino, nunca se chegou a arrepender pela decisão anteriormente tomada e viveu a vida ao lado de outro alguém, quem sabe de outros alguéns.

6 comentários:

  1. tá bom... sim... mas nao gosto do fim minha cara... ora já é suficientemente mau a gaja k partilha tds os nossos dias dizer k já nd importa... mas et ela bazar, dar-lhe aquela treta da amizade pa cima e ele nao se manifestar? quer dizer... hum.. ao menos podias ter dito cm é k o gajo fikou nao? a historia podia simplesmente acabar com o orompimento da historia das duas personagens , no entanto considero importante realçar que resta smp umas "paginas rasgadas e amarfalhadas" da historia que tiveram.. daí a achar que mais um paragrafo seria bom.. bem, ms istyo sou eu, acabei d acordar e tou meio zonza oO

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  2. realmente cara Finn tens alguma razao qd dzs q o fim poderia ser mlhr..tou de acordo mas nem eu sei bem qual será um "bom fim"...idealizá-lo-ei e depois edito este post...promessa feita :P

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  3. Ana, Ana... como eu (te)compreendo. Como eu compreendo o rapaz.... Também eu passei por isso. Mas temos que ver sempre os dois lados. Para quê viver na mentira?? Por mais k a verdade doa, temos k acabar sempre por a dizer... ou por a ouvir!
    O amor é como tudo, é como um copo... só s for msm mto forte é k ñ s parte... e s ñ s partir vai perdendo aquele brilho... (claro k há sempre exepções, por ex. knd lavamos a loiça com calgonite powerball 3em1 loooool =þ o brilho dura....)
    São as coisas da vida, o que é bom ñ dura para sempre... e como tu m dissest, o que é mau tb ñ... Mas inda tou à espera para acreditar nisso...

    Bjs mnh pretxinha =)
    *Amo.te*

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  4. Ta excelente sem dúvida nenhuma.. nem eu faria mlhr! :P lol to a brincar mh coisinha.. tu sabs aquilo q vales, n vale a pena tar pra aqui a elogiar-te.. no entanto n podia deixar de dizer q Adorei ler, q de alg1 modo me identifico com a rapariga..E sei o q custa, ms cm to farta de te dizer, acho k eh smp preferivel..Sinceridade acima de tudo..Tenho a certeza q essa "história" q ambas cnhcemos vai ter 1 final bem mais feliz q esse..esse vazio q agora existe entre a rapariga e ele vai ser substituido por uma amizade..BEM forte! enrikecida por todos os bons momentos k passaram juntos enqt namorados..acredita coisinha..eu sei do q to a falar ;) Beijao gmdt* Gui

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  5. Ai mlhérr ja tinha saudades disto..
    De começar a ler um texto teu e quase dum momento para o outro entrar na situação,ver o q está escrito como se estivesse a acontecer a minha frente(embora seja quase o q aconteceu=p)
    + uma vez passas.t os teus sentimentos para aqui, aplicados numa hst envolvente e triste/feliz..
    Ñ sei o q t diga + sem ser para nunca deixares de escrever Q qd fores famosa agente fala=p
    Bjão mlhérr****

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  6. Óptimo texto, óptimo blog. Decididamente passarei por cá mais vezes. Parebéns plo bom trabalho. **

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