quinta-feira, 14 de julho de 2005

Vislumbres de uma tarde

Olhei-te nos olhos, procurando findar a dúvida que atraiçoava o meu equilíbrio, mirei-te, observei-te e avaliei-me: já não era como dantes. O fogo aceso que ardia no meu íntimo quase cessara, estava agora reduzido a uma quase insignificante fumaça. Não podia ser possível, eu não podia permiti-lo; o hábito de te ter junto a mim, de sentir a tua companhia, de reconhecer o teu toque já familiar…Afinal sou eu que te conheço, que te descubro quando te alcanço e te imagino, com todos os peculiares sinais de que és tu. Sou eu que te conheço!

Pegavas-me na mão, mesmo que não te constatasse, reconhecer-te-ia. Oh! Jamais esqueceria a tua suavidade e a tua subtileza que endurecem quando sabes que o mundo é única e simplesmente nós dois. Prometias que ficavas comigo, acontecesse o que acontecesse; proferias convicto e sem medo tais palavras, todavia todo o meu corpo borbulhava de insegurança. Arrebataste-me, os teus braços doíam-te da força com que me seguravas para eu não desertar, para não desertar o teu ser, para não desertarmos ambos. Creio que tu também estavas com medo, não era eu a única, porém eram medos distintos: tu de me perderes e eu de te perder, perdendo-me a mim no mundo abrupto que a todos nos confronta.

O tempo alertava-te de que a hora de partires havia chegado. Esperavam-te, embora fôssemos só momentaneamente separados, tu não querias ir; quanto a mim, egoistamente mergulhei na indiferença, não senti que te ia perder, sabia-te parte imperecível de mim, quer agora, quer daqui a uma eternidade. Senti que nunca te perderia, pelo menos das minhas doces memórias amargas.

Fiquei ali pregada a olhar-te, via-te a sumir, a tua silhueta aparentava-se cada vez mais longínqua, até que te deixei de conseguir lobrigar. Só já sentia a tua influência em mim e no ar que deixaste atrás…Seria sempre assim e tanto eu como tu sabíamo-lo.

O sol brilhava e o dia achava-se esplendoroso, porém frio. Eu, ali, a completar a paisagem, estupefacta com a minha própria frieza. O barulho do corredor no qual permanecia acordou-me e a dúvida assombrou-me de novo, desta feita mais aguçada.

Amanhã, o amanhã seria diferente e isso era plenamente notável. Há muito que tudo se havia alterado e o fogo tendia a extinguir-se, contudo existia um sobejo que eu queria reacender. Era temível, dado que era assaltada pelo temor de ser reacendido por um outro alguém ou de tudo o que permanecia ressequido nas paredes da minha alma não voltar a brilhar e entrar no seu esplendor. Era tão difícil lidar com tudo isto e tu, longe, a julgares-me, pensando que eu era uma inconsciente que não sabia o que estava a fazer. Tudo porque achaste que fora tão fácil…

Caminhei em direcção àquele quarto escuro onde me refugiava. Umas longas horas de meditação esperavam-me…

Um comentário:

  1. Migona...
    Deixa de caminhar por esses teus espaços recônditos e cheios de sombras que te atormentam. Caminhas por eles porque te "desiludes" com o que te rodeia?
    Não vai ser neles que vais encontrar respostas para a tua satisfação.
    Acho que devias tentar nos simples planos abertos da vida. No dia-a-dia, nas coisas mais simples da vida. Num sorrizo de plena, sincera e pura felicidade. Encontra isto e serás feliz. Segue o que sentes e sente o que segues.
    És tu e só tu que aí está. Fá-lo por ti, sê feliz!
    Amigos pelo menos um tens... EU!
    Conitnua a ser a pessoa espectacular que sempre foste.
    Jokas pa ti migona :)

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